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LAR DA LADEIRA NA MIRA DA SEGURANÇA SOCIAL

A alegada existência de maus tratos e abusos sexuais no lar de crianças da Fundação criada pela Santa da Ladeira do Pinheiro, em Torres Novas, motivou uma investigação do Instituto de Solidariedade e Segurança Social (ISSS) e do Ministério Público, que pretendem também apurar a origem das crianças.

31 de março de 2004 às 00:00

A Fundação Maria da Conceição e Humberto Horta tem o estatuto de instituição particular de solidariedade social, dispõe de alvará para um lar de idosos, mas não está autorizada a acolher crianças, embora tenha ao seu cuidado 23 menores, a maioria dos quais de origem africana.

Em Setembro do ano passado, o ISSS recebeu uma denúncia anónima a relatar situações de pedofilia e a acusar de ditadores, vigaristas e arrogantes os responsáveis da Fundação. Esta semana, três freiras da Santa da Ladeira que foram expulsas da Fundação acusaram o padre Estêvão, reitor do santuário, de aproveitar as saídas do lar - para passeios ou consultas médicas - para abusar dos menores.

"Ele pediu namoro a uma menina de 13 anos e tentou agarrá-la várias vezes, mas ela deu-lhe para trás e como nós lhe fizemos frente perseguiu-nos e arranjou maneira de nos expulsar", contou a irmã Susana, uma das três freiras que no dia 20 foram "removidas do cargo" e obrigadas a "deixar de imediato os aposentos". As irmãs Clara, Fátima e Susana estavam há quatro anos no lar.

A menina de 13 anos que alegadamente sofreu os abusos foi retirada do lar por uma irmã mais velha e agora está a viver com os pais, que ontem negaram todas as acusações.

"Estive muitas vezes no lar com as crianças, havia muitos padres por lá mas nunca vi nenhum botar uma mão no peito ou no rabo dos miúdos nem me apercebi de nada de estranho", disse Manuel Nunes, pai da menina, que considera aquele espaço é "sagrado. É respeito a cem por cento", afirmou. A mãe, Custódia Nunes, põe "as mãos no fogo" pelo padre Estêvão, acha que "é tudo boato para derrotar a Ladeira" e conta que a filha é afilhada da Santa da Ladeira, que um dia lhe disse que "a menina pertence a Deus".

A divulgação do caso não alterou o quotidiano da Fundação e ontem de manhã as crianças foram para a escola, como fazem todos os dias. O padre Estêvão da Costa, reitor do santuário, não quis "falar no assunto", o mesmo acontecendo com o presidente da Fundação, Humberto Horta, e com a irmã Ana, professora da escola da Fundação.

O Instituto de Solidariedade e Segurança Social quer saber o que se passa no lar que acolhe crianças e nomeou duas inspectoras para fazer uma fiscalização.

Na semana passada houve uma reunião com as crianças, as freiras e os responsáveis da instituição e o relatório final está em fase de acabamento, disse ontem ao CM Fernando Adrega, director de Fiscalização do ISSS, adiantando que "não foram detectadas situações de abuso sexual, mas houve crianças que denunciaram maus tratos por parte de algumas religiosas. A origem das crianças está identificada e os pais residem em Portugal".

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