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Correio da Manhã

Portugal

Mãe de Rui Pedro alimentada a soro

Filomena Mendonça está de rastos, voltou a deixar de se alimentar e já não aguenta tanto sofrimento. A apenas dez dias do início do julgamento referente ao desaparecimento do filho Rui Pedro, que foi visto pela última vez há treze anos, a mulher foi-se abaixo mais uma vez. Está a ser alimentada diariamente através de soro e até dia 17, data em que Afonso Dias começa a responder por rapto no Tribunal de Lousada, tem de ir a consultas diárias no hospital.
7 de Novembro de 2011 às 01:00
Filomena Mendonça foi novamente abaixo. Está fragilizada com processo
Filomena Mendonça foi novamente abaixo. Está fragilizada com processo FOTO: Joana Neves Correia

A ansiedade e a dor tomam conta do seu coração de mãe. Filomena depositou as últimas esperanças de encontrar o filho, que desapareceu quando tinha onze anos, no julgamento que agora começa. Mas teme nunca mais o abraçar.

"Ela está a ser novamente seguida no hospital. A ansiedade de saber que o julgamento está próximo deitaram-na mais uma vez abaixo. Quiseram até que ela ficasse internada, mas ela não aceitou. A nossa última esperança é o julgamento. Se não conseguirmos saber no tribunal o que aconteceu ao nosso filho vai ser um desespero total", disse emocionado ao CM Manuel Mendonça, pai de Rui Pedro.

Filomena vai manter-se em silêncio sobre o caso do filho até ao dia do julgamento. Emociona-se bastante sempre que fala do de-saparecimento. Por isso teme perder as forças que lhe restam e não conseguir testemunhar contra o homem acusado de raptar Rui Pedro. Após ser deduzida a acusação, em Março deste ano, a mulher ficou muito fragilizada. Recusou-se a comer e chegou a só pesar 39 kg. "Após saber que o caso ia a julgamento a minha mulher conseguiu recuperar um pouco e agora já pesa 47 kg. Mas com o aproximar do julgamento voltou a deixar de comer e ficou mais frágil. Os médicos temiam que voltasse a ficar outra vez muito magra, por isso tem de receber soro todos os dias, para não perder peso", explicou Manuel.

Filomena, por seu turno, pediu ao CM para não prestar declarações. Com as marcas das agulhas nos braços – a ‘prova’ de que é medicada todos os dias – a mãe de Rui Pedro confessa que já não tem forças. "Não posso, não consigo", afirma com a voz tremida, na escola de condução que lhe pertence e onde passa a maioria das tardes. Aí, dizem-nos que Filomena conta os dias que faltam para o início do julgamento. Será uma das primeiras testemunhas a depor diante do colectivo de juízes e terá de retroceder no tempo até ao dia 4 de Março de 1998, o último dia em que viu e abraçou o seu menino. "Ela tem de conseguir. E vai fazê-lo, porque é muito importante para ela", diz o marido.

ACESSOS A TRIBUNAL COM RESTRIÇÕES

Os preparativos para o início do julgamento do caso Rui Pedro estão já a ser ultimados. A Polícia Municipal de Lousada decidiu que irá cortar a rua que dá acesso ao tribunal e já informou inclusive todos os comerciantes locais. O objectivo é evitar possíveis tentativas de agressão contra Afonso Dias.

Haverá também um reforço policial nos dias de julgamento, mas para além da revista habitual à entrada da sala, não vão existir outras medidas de segurança extraordinárias. A primeira sessão irá realizar-se no dia 17, às 09h30. Será aí que Afonso irá dizer se está disposto ou não a falar em julgamento. Para o mesmo dia estão também já arrolados como testemunhas os pais de Rui Pedro. Deverão depois ser ouvidos os cinco menores, que hoje já são adultos, e que viram o menino entrar no carro de Afonso. Seguem-se os elementos da Polí-cia Judiciária que investigaram todo o caso.

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