Médicos condenados por ‘vender’ reformas

Afonso Inácio com pena suspensa de 4 anos por burla à Segurança Social e atestado falso. Outros dois arguidos apanharam penas de seis meses
Por Nelson Rodrigues|08.12.18

Os três arguidos eram conhecidos como os ‘médicos das reformas’. Realizavam relatórios a atestar falsas doenças de pessoas que não conheciam e nunca tinham consultado, mas que se queriam candidatar à reforma por invalidez e pagavam para isso. A Segurança Social foi lesada com este esquema e, esta sexta-feira, o Tribunal de Braga condenou Afonso Inácio, ex-diretor do Centro de Saúde de Barcelos, a quatro anos de prisão, pena suspensa, por 12 crimes de burla tributária e um de atestado falso.

Este arguido, que ontem não esteve presente em tribunal, tem ainda que pagar, no prazo de quatro anos, 11 mil euros ao Centro Nacional de Pensões. Também os outros dois arguidos foram condenados a penas suspensas por um crime de burla tributária na forma tentada: o ortopedista José Pereira e o médico Mário Vianna (elemento destacado do PS em Ponte da Barca) apanharam seis meses de cadeia, suspensa pelo período de um ano. Têm de pagar 1500 euros à Amnistia Internacional.

"Os arguidos não são uns cidadãos quaisquer. São pessoas com responsabilidade acrescida. Fizeram algo grave. Enganaram a Segurança Social e forjaram documentos", disse a juíza, na leitura do acórdão. A defesa de Mário Vianna já anunciou que vai recorrer da decisão por entender que as penas aplicadas são "desproporcionais".

No esquema eram cobrados de início 100 €, mas após a pensão ser atribuída, os reformados tinham que despender quantias na ordem dos mil euros.n

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