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Médicos sem colocação

Quatrocentos e nove médicos estão impedidos de iniciar a segunda fase do internato, referente à especialização, porque só foram abertas 216 vagas para um total de 625 inscritos, denuncia a Ordem dos Médicos.

06 de janeiro de 2007 às 00:00

A esta situação, que pode levar os profissionais a procurarem trabalho no estrangeiro, soma-se a falta de publicação de vagas para outros 883 clínicos do primeiro ano comum, que, por erro do sistema informático dos serviços do Ministério da Saúde, não foram ainda colocados em hospitais ou centros de saúde. Feitas as contas, estão hoje 1292 médicos internos em casa quando poderiam estar a trabalhar nos hospitais ou centros de saúde.

O anestesista Rui Gonçalves, presidente do Conselho Nacional do Médico Interno da Ordem dos Médicos, considera a situação muito grave. “A falta de colocação pode levar estes colegas a procurar formação lá fora. Numa altura em que o Ministério da Saúde está a contratar médicos estrangeiros, não se compreende por que não dá condições aos portugueses para cá trabalharem e não se abre vagas.”

Este dirigente da Ordem dos Médicos “estranha” a falta de abertura de vagas para os 409 internos, que, após o primeiro ano comum, deveriam iniciar em Janeiro a especialização – em cirurgia, pediatria, cardiologia, oftalmologia, reumatologia, ortopedia ou outra valência.

Rui Gonçalves critica a “falta de cumprimento da legislação”, ao ver os despachos 216 e 217 ontem publicados no ‘Diário da República’, por não indicarem os hospitais onde os restantes 216 internos vão ser colocados.

Fonte do gabinete do ministro da Saúde garantiu ao CM que o número de vagas pedidas pelo seu Ministério foi concedido pelo Ministério das Finanças, rejeitando, por isso, a ideia de que haja 409 internos sem colocação. Por outro lado, assegura que, no próximo dia 15 deste mês, deverá ser publicada a lista dos 883 internos do ‘ano comum’.

ANÓNIMO VS CONFIDENCIAL

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, disse ao CM que, caso o referendo resulte na legalização do aborto, deve ser “garantido o anonimato no Serviço Nacional de Saúde” (SNS) às mulheres que o pretendam fazer. Pedro Nunes respondia ao ministro da Saúde, Correia de Campos, que disse “não poder garantir” esse anonimato. “As mulheres que queiram o anonimato devem recorrer ao privado”, afirmou Correia de Campos.

O bastonário dos médicos considerou estas declarações “uma enormidade”. Fonte do gabinete do ministro disse ao CM que “não é possível criar condições no SNS para garantir o anonimato. Se não querem ser identificadas, as mulheres devem recorrer às clínicas privadas”. Porém, sublinhou, não deve ser confundido anonimato com confidencialidade. “A confidencialidade do acto médico no SNS será sempre garantida.”

BOMBEIROS DE ELVAS PARTEIROS

Dois bombeiros da corporação de Elvas assumiram ontem as funções de ‘parteiros’ e, a meio da viagem para Badajoz, ajudaram a dar à luz um rapaz, o primeiro bebé nascido dentro de uma ambulância desde o fecho da maternidade local.

“Fomos buscar uma grávida à Terrugem e íamos a caminho do Hospital Materno-Infantil de Badajoz, mas, antes de chegarmos a Elvas, tivemos de parar a ambulância e ajudar no parto”, relatou um dos ‘parteiros’ improvisados, José Claudino, de 43 anos, que foi ajudado pelo colega Paulo Fernandes, de 28 anos. Bombeiro há quase 12 anos, José Claudino já numa ocasião anterior tinha ajudado num parto, há meia dúzia de anos, em casa da parturiente, mas, numa ambulância, esta foi a sua estreia.

“Nunca me tinha acontecido, mas não ficámos nervosos. Trabalhámos bem e tudo correu dentro da normalidade”, frisou. “A grávida, de 27 anos, queria ir para o Hospital de Portalegre, mas, como a distância era de 60 quilómetros, as indicações do INEM foram para a levar para Badajoz, a cerca de 30 quilómetros da Terrugem”, contou José Claudino.

VOLUNTÁRIOS

Alguns médicos internos do ano comum – ano de formação após a licenciatura em Medicina –, referentes ao grupo dos 883 profissionais, estão a trabalhar desde o início do mês nalguns hospitais (Santa Maria, de Lisboa, de Aveiro e do Porto) de forma voluntária, apesar de não terem sido ainda colocados. “Estão a ajudar os colegas, designadamente nas Urgências, que têm estado sobrelotadas”, diz ao CM Rui Gonçalves, da Ordem dos Médicos.

REGRESSO

Muitos médicos internos que se encontram no grupo dos 625 inscritos na segunda fase do internato (para iniciar formação em especialização) são jovens que foram tirar a licenciatura em Medicina em Espanha ou na República Checa e escolheram Portugal para a especialização. A falta de colocação pode levá-los a escolher esses países para trabalhar.

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