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Correio da Manhã

Portugal
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Nonagenária nunca teve luz em casa

Adelaide Sofia, de 92 anos, reside a poucos quilómetros da cidade de Lamego mas não sabe quais as vantagens de ter luz em casa. Só durante as férias na casa dos filhos, em Lisboa, ou quando se desloca ao centro do povo pode admirar as mais-valias da energia eléctrica.
20 de Fevereiro de 2005 às 00:00
A nonagenária reside com um filho na aldeia de Portela, freguesia de Melcões, e tem a esperança de poder ter a luz em casa “antes de morrer”. Não têm electrodomésticos e no Inverno deitam-se com o pôr-do-sol. O problema é do conhecimento da Junta de Freguesia, da Câmara de Lamego e da EDP, só que até hoje ainda ninguém se dignou dotar aquele local com energia eléctrica. Esta família está indignada com a situação porque a luz eléctrica está a apenas um quilómetro de sua habitação.
“Não podemos comprar alimentos para guardar em casa o que nos obriga a deslocarmo-nos várias vezes por semana à mercearia”, lamenta a idosa, que desde sempre utiliza a luz de uma candeia para iluminar a casa. A mesma que levou para a sua casa, quando casou aos 27 anos.
“Se não tivermos cuidado, temos de deitar fora alguns alimentos, e isso, traz-nos imensos prejuízos ao nosso magro orçamento”, remata o filho Agostinho Silva Moura, que três vezes por semana é obrigado a ir à mercearia comprar o que podia guardar se tivesse luz.
O presidente da Junta de Melcões garante que já pediu a luz para aquele lugar, mas segundo lhe disseram “o custo da obra é elevado”. “Eles merecem mas a Junta não tem verba para a obra”, afirma José Silva Almeida.
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