O QUE MATOU BONIEK?

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa está a investigar a morte de Boniek, um conhecido 'skinhead', de 30 anos, que sofria de esquizofrenia.
No sábado, dia 2, a PSP foi chamada a casa dos seus pais, em Lisboa, que se queixavam de distúrbios. No dia seguinte, o 'cabeça-rapada' morreu com uma paragem cardiorrespiratória no hospital. A autópsia, feita cinco dias depois, revelou-se inconclusiva.
11.10.04
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O QUE MATOU BONIEK?
Boniek foi um dos 24 'cabeças-rapadas' detidos pela GNR na 'Quinta dos skinheads', em Loures Foto Nuno Jorge
Eram 07h30 quando uma chamada telefónica para o 112 alertava para distúrbios numa residência da Rua D. Francisco Manuel de Melo. "O meu filho tem uma doença mental e está a partir tudo cá em casa", dizia a voz desesperada.
Dois agentes da PSP da esquadra do Palácio da Justiça acorreram ao local.
Quando chegaram, depararam-se com "um homem encorpado" já referenciado por integrar um movimento neonazi português.
Conhecido pelos amigos, e pelas autoridades, por Boniek, o 'skinhead' estava "completamente fora de si", como explicou fonte policial ao Correio da Manhã.
"O indivíduo fugiu até à Avenida Miguel Torga. Aqui agrediu os agentes, que só depois o conseguiram imobilizar", acrescentou a mesma fonte.
Boniek chegou ao Hospital de Santa Maria pelas 08h00. Uma outra fonte policial disse ao CM que "ele deu entrada no hospital por agressões". No entanto, depois de ser observado por um psiquiatra, foi transferido para o Curry Cabral, o hospital da área da sua residência, onde ficou internado.
Foi-lhe diagnosticada "uma esquizofrenia paranóica, com comportamento agressivo mas com discurso coerente", conforme apurou o nosso jornal.
Domingo, Boniek morreu com uma paragem cardiorrespiratória. Sexta-feira foi autopsiado, mas nada se concluiu.
O Instituto de Medicina Legal continua a tentar apurar as causas da sua morte.
CONHECIDO NO 'GRUPO 1143'
Conhecido por Boniek, o 'skinhead' fez correr muita tinta na imprensa. Exemplo disso foi, pouco antes do Euro'2004, quando era segurança da Prosegur e, segundo a empresa, trabalhava como 'steward' em 'part-time' no Estádio da Luz. Os seus serviços viriam a ser dispensados quando a revista 'Sábado' publicou uma reportagem que o denunciava como fazendo parte do 'Grupo 1143', uma facção da Juve Leo (claque do Sporting) conhecida pela sua ideologia extremista neonazi.
Também no dia 26 de Junho, Boniek viria a ser detido, pela GNR de Loures, com mais 24 'cabeças-rapadas' numa casa onde se reuniam. Na operação, além de armas de fogo, bastões e soqueiras, foi apreendido diverso material com fotos e escritos de Hitler, assim como documentação do 'Grupo 1143'. Mais recente ainda foi a sua detenção, no início deste mês perto do Alvaláxia. Quando ele e, pelo menos, mais quatro 'skinheads' agrediram e injuriaram alguns agentes da autoridade. Boniek foi cremado ontem. Sexta-feira, o seu corpo estava em câmara-fria no cemitério dos Olivais, onde estiveram dezenas de 'skinheads' seus amigos.
QUESTÕES
CLAQUES
As investigações produzidas pela GNR de Loures vieram a permitir estabelecer ligações entre os ‘cabeças- -rapadas’ e claques de futebol. Têm sido usados em acções de segurança.
NEONAZIS
Os neonazis e o neonazismo não são um fenómeno que se cinja a Portugal. Por toda a Europa, estes grupúsculos têm vindo a ganhar terreno, em particular nas áreas suburbanas.
PERIGO
Tem havido vários incidentes entre ‘skinheads’ e negros, alguns deles com consequências mortais. A maioria dos incidentes verificou-se no Bairro Alto e vários ‘skins’ foram presos.

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