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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Oito em cada 10 portugueses não confiam na Justiça

Irregularidades nos sorteios da Relação de Lisboa aumentaram a desconfiança de 46,3%. Para 32,4% nada mudou: a confiança já era baixa.

29 de março de 2020 às 09:18

As suspeitas de irregularidades na distribuição de processos no Tribunal da Relação de Lisboa - levantadas após ser revelada uma troca de mensagens entre o ex-presidente da Relação, Vaz das Neves e Rui Rangel, que indiciam a viciação de um caso que opunha o último ao CM - fizeram mossa na confiança que os portugueses têm na Justiça. Quase oito em cada dez inquiridos numa sondagem CM/Intercampus assumem que pouco confiam no sistema judicial do País.

Para 46,3% dos inquiridos o caso levou a uma quebra na confiança. Já 32,4% dos entrevistados assumem que o grau de credibilidade que atribuem à Justiça se manteve como estava, porque este já era por si só baixo. Ou seja, temos atualmente quase 80% dos portugueses com uma reduzida confiança nesta área. Ainda assim, a maioria (56%) fez questão de acompanhar a discussão pública sobre o tema, mostrando-se  "relativamente informados".

A polémica estalou a 20 de fevereiro, com a relevação de várias mensagens escritas trocadas entre Rui Rangel e Vaz das Neves, que foram descobertas após perícias da Polícia Judiciária. Rangel assumia-se "muito preocupado" e pedia ao então presidente da Relação de Lisboa para controlar "a situação", neste caso a distribuição de um recurso do próprio num caso contra o CM. Na primeira instância, os jornalistas do CM tinham sido absolvidos e na Relação foi dada razão ao recurso de Rui Rangel. O caso passou para o Supremo Tribunal de Justiça, onde o CM voltou a ganhar.

Rui Rangel, arguido na Operação Lex, foi oficialmente expulso da magistratura a 6 de dezembro do ano passado. Já Vaz das Neves, que esteve à frente da Relação de Lisboa durante 11 anos e está jubilado, foi recentemente constituído arguido no mesmo caso, por suspeitas de corrupção e abuso de poder.

FICHA TÉCNICA

Objetivo

FICHA TÉCNICA

Objetivo Sondagem realizada pela Intercampus para o CM e a CMTV, com o objetivo de conhecer a opinião dos portugueses sobre diversos temas da política nacional, incluindo a intenção de voto em eleições legislativas. Universo População portuguesa, com 18 ou mais anos de idade, eleitoralmente recenseada, residente em Portugal continental. Amostra É constituída por 611 entrevistas, com a seguinte distribuição proporcional: 291 a homens e 320 a mulheres; 132 a pessoas entre os 18 e os 34 anos, 222 entre os 35 e os 54 anos e 257 a pessoas com 55 ou mais anos; 230 no Norte, 144 no Centro, 166 em Lisboa, 45 no Alentejo e 26 no Algarve. Seleção da amostra A seleção do lar fez-se através da geração aleatória de números de telefone fixo/móvel. No lar a seleção do respondente foi realizada através do método de quotas de género e idade (3 grupos). Foi elaborada uma matriz de quotas por região (NUTS II), género e idade, com base nos dados do Recenseamento Eleitoral da população portuguesa (31/12/2016) da Direção-Geral da Administração Interna (DGAI). Recolha da informação Através de entrevista telefónica, em total privacidade, através do sistema CATI. Os trabalhos de campo decorreram entre 13 e 19 de março de 2020. Margem de erro O erro máximo de amostragem, para um intervalo de confiança de 95%, é cerca de 4% Taxa de resposta 64%

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