Seis produtos cosméticos e de higiene corporal contendo fitoestrogénios, uma substância proibida pelas normas comunitárias e pela legislação nacional por ser considerada perigosa para a saúde humana, já não se encontram à venda no mercado nacional.
O CM sabe que os produtos que foram retirados das prateleiras das lojas da especialidade são todos eles de gamas alta e média e têm as seguintes marcas: ‘Celulite’, ‘Serum Nutritive Regenerador’, ‘Creme Multiregenerador Age Defance’, ‘Emulsão Age Defance Multiconfort’, ‘Máscara Facial de Frutas Age Defance’ e ainda o ‘Ginoflavonas Gel Vaginal’.
Enquanto alguns destes produtos são cremes de corpo, outros são de rosto. Há ainda anti-celulíticos e alguns destinados a garantir uma maior firmeza e regeneração da pele. Entre estas substâncias encontram-se ainda as destinadas à higiene íntima da mulher. Para já, três empresas foram oficialmente notificadas, no sentido de retirar de imediato estes produtos da venda directa ao público.
Apesar de estes produtos poderem já não estar à venda em muitos locais, podem ter sido adquiridos recentemente pelos consumidores, em particular pelas mulheres que são quem normalmente os utiliza. Logo, ainda os têm em casa.
No entanto, o risco não se esgota por aqui (ver texto ao lado), porque outros produtos de beleza similares ainda se encontram à venda em Portugal, estando actualmente a decorrer inspecções de Norte a Sul do País que vão resultar, nos próximos dias, na notificação das respectivas empresas para proibir a venda desses mesmos artigos.
Estas acções são desencadeadas pelo Infarmed - Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento, por vezes em colaboração com a IGAE - Inspecção-Geral das Actividades Económicas. “Apesar dos fitoestrogénios estarem proibidos pela legislação portuguesa, há empresas que não cumprem a lei e por isso o Infarmed procede regularmente a inspecções.
Foi na sequência destas acções de fiscalização que detectámos a venda destes produtos contendo fitoestrogénios”, declara ao CM Rui Santos Ivo, presidente do Infarmed, a autoridade do medicamento em Portugal.
Rui Santos Ivo sublinhou ainda que a informação da colocação no mercado nacional destes produtos perigosos foi veiculada aos restantes países da União Europeia.
EFEITOS SECUNDÁRIOS
Os produtos cosméticos e de higiene corporal que contêm fitoestrogénios estão proibidos porque estas substâncias são absorvidas pela pele. Estudos europeus e americanos têm vindo a revelar que estas substâncias, pela sua actividade estrogénica, têm provocado acidentes vasculares cerebrais (AVC) e cancro nas pessoas. “Desde há algum tempo que a comunidade científica internacional desconfiava dos efeitos secundários produzidos na saúde por estas substâncias”, afirma ao CM Luís Pisco, presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral. O especialista em farmacovigilância Luís Santiago sublinha que os estrogénios extraídos das plantas (algas) e aborvidos por via cutânea são nocivos à saúde, ao contrário dos fitoestrogénios administrados por via oral (cápsulas) que não têm provocado efeitos secundários conhecidos. “As mulheres chinesas e japonesas são consumidoras dos fitoestrogénios por via oral e têm revelado menos osteoporose que as ocidentais”, afirma.
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