Um ano após ter mandado publicar um anúncio em que dizia recusar a comunhão a quem usasse métodos contraceptivos e depois de condenado por difamação ao acusar de ‘serial killer’ a Associação de Planeamento Familiar, o padre franciscano Serras Pereira regressou ontem ao centro da polémica, defendendo que “a homossexualidade é uma doença”, que “o aborto é um crime pior do que a pedofilia”, que o uso do DIU (dispositivo intra-uterino) como contraceptivo é “assassino” e acusa, em afirmações ao CM, os outros sacerdotes de só não concordarem consigo por “má-fé” ou “ignorância crassa”.
Nuno Serras Pereira volta assim à ribalta, depois de uma entrevista ontem publicada no ‘O Independente’, na qual afirma que “a homossexualidade é uma doença” e que só não é assim reconhecida porque “o lóbi gay manda nas televisões”; considera que “um casal sem filhos não é uma família” e insiste em acusar a Associação de Planeamento Familiar (APF) de “assassínio em série”, já depois de condenado em Tribunal.
O padre entende ainda que “qualquer relação sexual que não vise a procriação é perversa”, defendendo que só “a castidade” e a contagem do período fértil da mulher “são métodos contraceptivos legítimos”, na medida em que o uso do preservativo ou pílula “falsificam a relação”.
Já o uso do DIU implica para Serras Pereira a “violação do mandamento canónico ‘Não Matarás’, assim como entende que “o Estado não pode comparticipar a pílula do dia seguinte”, sob pena de se tornar num “modelo totalitário”.
ARGUMENTOS
Ao CM, o padre Serras Pereira confirmou as posições expressas na entrevista, das quais a Igreja já se demarcou, considerando que “mais do que o direito, a Igreja tem o dever de recusar a comunhão a quem pública e obstinadamente, sem arrependimento, viola os mandamentos”.
Quando confrontado com as declarações do bispo auxiliar de Lisboa e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Carlos Azevedo, de que as suas ideias “não são conformes à última encíclica papal”, o padre franciscano responde ser “a opinião dele” e insiste estar convicto da razão.
Relativamente às acusações de “egocentrismo ou desejo de protagonismo” de que foi alvo o ano passado por parte de outros sacerdotes, aquando da publicação do anúncio, Serras Pereira disse não se pronunciar sobre “juízos de valor” que sobre ele se façam, insistindo que em termos doutrinários e no que respeita ao teor do anúncio “só não me reconhece razão quem estiver de má-fé ou por ignorância crassa”. E explica: “Não admito que haja má--fé por parte dos outros confrades, só posso atribuir as dúvidas à ignorância.”
Desafiado com a insistência em acusar a APF de “assassínio em série” mesmo depois de condenado em primeira instância por difamação, Serras Pereira lembra ter recorrido da sentença e salvaguarda que a acusação foi feita sobre uma associação congénere dos Estados Unidos.
Ainda assim entende que “a juíza deu como provado que as afirmações não eram verdadeiras”, quando garante: “Eu posso comprovar com factos aquilo que afirmei”.
D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa: “Rudeza não conforme à encíclica”
Correio da Manhã – A Igreja revê-se nas declarações do padre Serras Pereira, como a de que a homossexualidade é uma doença?
D. Carlos Azevedo – As posições do padre Nuno Serras Pereira são conhecidas pelo seu extremismo. A Igreja não se identifica com esta rudeza de linguagem. Não é compatível com a linha e atitude pastoral.
– E a equiparação entre os métodos contraceptivos e o homicídio?
– Insere-se tudo na mesma linha de expressão.
– Pode-se concluir que a Igreja vê o padre Serras Pereira como um fundamentalista?
– Ele defende umas posições agressivas, com uma rudeza nada conformes à mais recente encíclica papal.
– A conclusão é então legítima, mas não usa o termo fundamentalista?
– Não sou eu que vou fazer como aqueles que protestam contra as caricaturas e depois são mais agressivas do que a própria agressão de que dizem ser alvo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.