Os pais das vítimas da noite fatídica no Meco são esta quarta-feira ouvidos em tribunal. João Gouveia não marca presença no julgamento.
"Dava parte da minha vida só para ouvir a voz dela": Pais de jovem morta na tragédia do Meco recordam filha
Os pais de Ana Catarina, que em 2013 frequentava o terceiro ano do curso de Turismo na Lusófona, são os primeiros a falar.
Pais de Ana Catarina são ouvidos em tribunal
Os pais de Ana Catarina são os primeiros prestar declarações no tribunal.
Começam por dizer que a família e Catarina tinham um plano escolar e de futuro para a jovem bem definido.
"Em termos de comissão de praxe só tive conhecimento após a tragédia", refere a mãe da vítima. "Eu não sabia o que era o Copa, não sabia o que era o Dux, pensava que o Dux era o nome de um rapaz, uma alcunha. Em casa a Catarina não falava nisso. Só sabia que a menina trajava e que ia a jantares com os colegas, etc", acrescenta.
A mãe diz ainda que "sobre praxes, posso dizer que a menina quando disse que vai naquele fim de semana para uma casa perto de Sesimbra só disse que iam ter uma reunião para preparar um plano de praxes para o ano letivo seguinte. Nunca seria uma mãe que permitisse que ela fosse humilhada ou que humilhasse alguém".
O ex namorado de Catarina é uma das testemunhas que virá ao tribunal
A mãe de Ana Catarina refere em tribunal que só conseguiu ver muitas das mensgens que a filha recebeu naquele fim-de-semana passados meses. "Se há muitas SMS que a minha filha em vez de eu saber logo só soube muito tempo depois porque alguém me confiscou logo o telemóvel, pediu logo o telemóvel e eu dei (fala do ex-namorado da jovem, João Maria). Em causa estavam mensagens trocadas pelos dois. Era "estes filhos da p*** já me obrigaram a fazer 150 periquitos e a beber" e a resposta do namorado foi "aguenta que é mesmo assim". Ele queria o telemóvel à força devido a estas mensagens", explica a mãe.
O ex namorado de Catarina é uma das testemunhas que virá ao tribunal.
Mãe acredita que filha era representante do curso mas achava que era para representar a universidade, não que fosse para serem humilhados ou praxar alguém.
"Ela mentiu aos colegas, está nas mensagens", refere a mãe da jovem
Segundo a testemunha, mãe de Catarina, na sexta, dia 13, a jovem esteve a trabalhar no part time de um hotel em Lisboa por isso não foi logo para meco.
Segundo a testemunha, Catarina foi trabalhar na sexta, dia 13, num part-time de um hotel em Lisboa e por isso juntou-se aos colegas, no Meco, só no sábado.
"Ela mentiu aos colegas, está nas mensagens. Enviou-lhes duas SMS a dizer que não tinha ido ainda para o Meco, porque tinha adormecido e mais tarde que ainda não tinha ido porque o telemóvel tinha caído. Era mentira porque ela estava a trabalhar. Como pais pensamos "porquê que ela mentiu aos colegas?! Estava com medo de represálias!?", questiona Fernanda, mãe de Catarina.
Os representantes da Lusófona questionam, como é que a Ana Catarina assegurava as despesas diárias?", tendo a mãe explicado que os pais davam-lhe cerca 30/40 euros de semanada.
A mãe de Ana Catarina diz que a jovem ainda estava a frequentar o curso. E acrescenta que sabia que a filha ia a festas e a eventos de praxe.
No entanto, Fernanda considera que a Universidade Lusófona não protegia os alunos de praxes e humilhações e que deveria ter conhecimento daquilo que acontecia aos alunos em nome da instituição. "Como professora, na minha escola, se houver violência e humilhação aos nossos alunos nós sabemos e intervimos", diz a mãe.
A advogada de João Gouvia questionou se Fernanda sabia que a filha participava em atividades de praxe, referiu rally tascas. "Ouvi falar em rally tascas mas só depois da tagédia é que percebi o que era", diz.
Mãe de Ana Catarina chora ao relembrar a última vez que falou com a filha
Mãe de Ana Catarina exalta-se um pouco com advogada de João Gouveia porque entende que a advogada estava a insinuar que a mãe compactuava com as atividades de praxe.
A advogada questiona qual foi o último contacto com filha?
"Foi numa atividade de fazer azevias onde íamos todos os anos para uma escola do Barreiro, onde vivemos. A menina foi comprar uma máquina de esticar massa para ajudar, levou-me a máquina, na sexta-feira, dia 13. No sábado eu fui para casa de amigas fazer as azevias, regressei e quando ia tomar banho a menina liga-me para saber como tinha corrido com a máquina nova", conta a mãe e emociona-se.
Mãe de Ana Catarina chora a contar a última vez que falou com a filha.
"Minha filha amava a faculdade que não a protegeu", diz Mãe de Catarina
"O meu marido disse liga lá à menina. Eu disse que ao valeria a pena porque ela já estava cansada e deve estar a dormir", refere a mãe de Catarina e explica que já era 01h00 de domingo.
"Peço lhe por tudo Sra. Juiza, registe tudo o que eu disse, eu perdi uma filha. A minha filha amava a faculdade que não a protegeu. A doutora não sabe o que é estar uma semana voltada para aquele mar à espera do corpo da minha filha. A Lusófona não fez nada".
"O meu marido era administrador da Caixa-Geral de Depósitos que mandaram logo duas psicólogas para nos acompanhar. No dia em que vou ao computador da minha filha da aplicação da faculdade, escreva isto por favor, pus a senha da minha filha e estava a mensalidade por cobrar e a dizer desaparecida na praia do Meco. Faculdade essa que até dia 8 de Janeiro de 2014 nunca nos disse nada. Nem um telefonema", refere a mãe de Catarina.
"Já esperava há muito por esta oportunidade de poder falar", remata.
"Não tinha conhecimento do encontro daquele fim de semana", disse mãe de Andreia Revez
Sílvia Guerreiro, mãe de Andreia Revez, é a segunda testemunha da sessão de julgamento de hoje. A segunda mãe já está cá dentro e vai começar
Andreia Revez frequentava o curso de engenharia biotecnológica desde 2010. Quando ocorreu a situação trágica andreia estava no terceiro ano mas curso ainda não estava concluído.
A jovem vivia, na altura, com os avós, por decisão dos pais que já estavam separados.
A mãe esclarece que durante a semana, nas aulas, a jovem vivia num apartamento partilhado com colegas da escola e ia ao Algarve, onde os pais vivem, de 15 em 15 dias.
"Sabia que realizava atividades no âmbito da praxe? Sabia que era representante do curso dela? A mãe responde que não. "Só tive mais conhecimento de tudo depois do falecimento dela, não tinha conhecimento do encontro daquele fim de semana", diz Sílvia Guerreiro.
"Não falávamos muito de escola", refere Sílva, mãe de Andreia Revez
Mãe de Andreia Revez refere que a jovem tinha 21 anos e que "gostava de estar na universidade. Dizia que tinha de estudar mais".
"O tempo que passávamos juntas estávamos mais em família e não falávamos muito de escola", refere Sílvia emocionada.
Mãe de Joana Barroso: "Ela e o Dux não se estavam a entender"
É a vez de Mariana Barroso, mãe de Joana, uma das vítimas, ser ouvida. A filha tinha 21 anos quando morreu. A jovem já tinha terminado a licenciatura em serviço social e, na altura do acidente, fazia um mestrado em serviço social. Vivia num quarto em Lisboa. A família é de Santiago do Cacém.
Mariana afirma que sabia que a filha "tinha sido eleita para um cargo académico na universidade Lusófona para representar o curso", mas que só depois da morte é que soube que era na comissão de praxe.
Sobre os últimos meses de vida de Joana, a mãe da jovem afirma que andava tensa e que já ponderava afastar-se daquela função.
"Nos últimos tempos ia casa de mês a mês. Geralmente era de 15 em 15 dias", começa por explicar. "Em 2013 notei-a, uns meses antes de acabar o ano letivo, tensa e nervosa. Ela e o Dux não se estavam a entender", relata.
"Disse-me que se ia afastar": Joana Barroso dava sinais de tensão, conta mãe
Joana Barroso já dava sinais de que algo não estaria bem e já ponderava abandonar a função na praxe.
"Aquela função tirava-lhe muito tempo e por isso já tinha dito a mim e ao pai que se calhar se ia afastar", conta Mariana.
Sobre o que fazia exatamente, a mãe afirma que Joana lhe dizia que "estava lá a fazer praxes" mas que não lhe havia falado em comissão de praxe.
"Sobre o fim de semana disse-me que iam reunir-se para preparar as praxes de 2014, que era um fim de semana académico. Disse-me que ia para a zona de Sesimbra", acrescenta.
Mariana afirma que achava que eram "brincadeiras leves" e que não via a filha a rastejar aos pés de alguém: "Ela nunca me falou disso".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.