Adriano Maranhão vai ser transferido para um hospital amanhã.
“Sinto-me um parasita dentro do navio”: Português infetado com coronavírus está febril e pede ajuda ao Governo
O português infetado com coronavírus a bordo do navio cruzeiro "Diamond Princess" atracado em Yokohama, no Japão, confessou que se sente "um parasita dentro do navio, toda a gente se afasta". O homem revelou ao CM que vai ser transferido para uma unidade hospitalar esta terça-feira e que já foi auscultado por um médico.
Numa videoconferência em direto para a CMTV, Adriano Maranhão contou que foi visto por um médico das autoridades japonesas. "Disse-me para não entrar em alarme porque a partir dos 38 [graus de febre] é que é grave", revelou o português.
Os infetados foram entretanto autorizados a sair dos compartimentos durante duas horas. "Acabámos de ter autorização do comandante, os infetados, entre as 20h00 e as 22h00, para sair para a parte do navio que dá para o mar", anunciou Adriano Maranhão, que deverá ser transportado para uma unidade hospitalar. "Penso que estou em melhores mãos lá [no hospital] do que estou aqui", afirmou.
Ainda durante a manhã, o português revelava à CMTV que se sentia "cansado" e que a temperatura corporal tinha subido nas últimas horas, variando entre os 37.7 e 38 graus.
"Quando eu me queixei que a temperatura estava a subir e que me sentia cansado, deram-me um paracetamol. Isso foi de manhã, a conversa [telefónica] com o médico foi à tarde", relatou.
Adriano saiu da cabine, onde se encontrava em isolamento, para poder receber a medicação. "Fizeram-me deslocar da cabine ao Medical [posto de saúde] para tomar tomar a medicação. Tive que sair com o efeito de poder contagiar mais alguém, mas não era minha responsabilidade, era responsabilidade deles", confessou.
O profissional de saúde considerou todo o procedimento como "normal", mas discutiu com paciente infetado acerca dos contactos realizados entre Adriano e a Embaixada portuguesa no Japão. "Discutiu comigo por ter entrado em contacto com a Embaixada portuguesa porque [esta] está em contacto com eles aqui dentro. A embaixada não tem poder cá dentro, eles é que são responsáveis por sair aqui do navio", relatou Adriano à CMTV
"Sinto medo, estou revoltado, não sei o que se passa, não sei até que ponto é que estou afetado, não sei até que ponto é que me consigo curar", confessou, apelando ao Governo português para que o ajude numa situação em "que se sente como parasita".
"Peço ajuda ao meu Governo português que me ajude. Estou de mãos e pés atados, eu não consigo fazer nada dentro de uma cabine", apelou.
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