Tiago Guerra está detido há quase dois anos.
Um português retido há mais de 20 meses em Díli suspeito de branqueamento de capitais, mas ainda sem acusação formal, foi esta segunda-feira ouvido pela primeira vez no Ministério Público, num interrogatório que continuará na terça-feira.
Fontes judiciais confirmaram à Lusa que Tiago Guerra e a sua mulher, Fong Fong Guerra, começaram a ser ouvidos pela procuradora do seu processo, Angelina Saldanha, cerca das 09h00 locais (01h00 em Lisboa).
O interrogatório, o primeiro para o casal no Ministério Público em 20 meses , foi interrompido ao inicio da tarde e vai ser retomado na terça-feira, explicaram as mesmas fontes.
Esta é a primeira vez em todo este longo processo que o casal é ouvido no Ministério Público timorense, que, apesar de já se terem esgotado todos os prazos legais, continua sem acusar formalmente Tiago Guerra e a mulher.
Tiago Guerra foi detido para interrogatório a 18 de outubro de 2014, passou três dias na esquadra da polícia de Caicoli e a 21 do mesmo mês foi ouvido no Tribunal de Díli, onde o juiz ordenou a sua prisão preventiva, entrando na cadeia de Becora, onde ficou preso até 16 de junho do ano passado.
Desde aí está, como a mulher, com Termo de Identidade e Residência (TIR) e impossibilitado de sair do país.
Em abril passado, Tiago Guerra escreveu uma carta aberta às principais autoridades timorenses na qual afirma estar a ser tratado injustamente e pede para que o seu processo seja arquivado ou julgado.
"Compreendemos que Timor-Leste é um país jovem e que precisa ainda de muitas melhorias, especialmente no sector da justiça. Mas não deveria dar exemplos que ofereçam ao seu povo a segurança jurídica e a confiança que merecem?", escreveu Tiago Guerra, retido pelas autoridades por suspeita de branqueamento de capitais.
"Exortamos os organismos responsáveis para que, juntos, num esforço de cooperação horizontal, decidam fazer uma acusação ou o arquivamento do caso", referiu no texto, a que a Lusa teve acesso.
Também em abril, o procurador-geral timorense garantiu à Lusa que o Ministério Público está prestes a terminar a investigação no processo e que entre "agosto e outubro" o caso é arquivado ou segue para julgamento.
"Pedimos informações a outros países, já recebemos respostas a cartas rogatórias de Portugal e Macau, mas estamos à espera de outras diligências para complementar o caso. Esperamos completar a investigação no mês de junho e podemos acusar ou arquivar o processo depois disso. No máximo entre agosto e outubro, dependendo das provas, será acusado ou arquivado", afirmou o responsável do Ministério Público timorense.
José Ximenes rejeitou que já tenham sido ultrapassados todos os prazos legais no processo, afirmando que o "arguido está fora da prisão" e tem como medida de coação o TIR (Termo de Identidade e Residência), escusando-se a tecer mais comentários sobre o processo.
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