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Correio da Manhã

Portugal
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Professora de Abrantes que matou o marido em 2018 começa hoje a ser julgada

Mulher agrediu o marido com um martelo e depois com uma faca, desferindo pelo menos sete pancadas e 79 golpes.
Lusa 10 de Maio de 2019 às 06:15
Margarida Rolo matou o marido em Abrantes
José Duarte era  professor de  Matemática
Casal residia em Chainça, Abrantes
Margarida Rolo matou o marido em Abrantes
José Duarte era  professor de  Matemática
Casal residia em Chainça, Abrantes
Margarida Rolo matou o marido em Abrantes
José Duarte era  professor de  Matemática
Casal residia em Chainça, Abrantes

A professora de Abrantes acusada de homicídio qualificado pela morte do marido, também professor, em agosto de 2018, começa a ser julgada esta sexta-feira no Tribunal de Santarém.

Segundo a acusação, consultada pela Lusa, a mulher, de 43 anos, agrediu o marido na noite de 16 de agosto de 2018, em casa, primeiro com um martelo e depois com uma faca, desferindo pelo menos sete pancadas e 79 golpes, que lhe provocaram múltiplas lesões e levaram à sua morte.

O Ministério Público afirma que a mulher, descontente por o marido se querer divorciar, elaborou um plano para lhe tirar a vida usando um martelo, de modo a atribuir a autoria da morte a pretensos assaltantes encapuzados, versão que, em primeiro interrogatório, a arguida negou, alegando que era vítima de violência doméstica e que agiu em legítima defesa.

A acusação afirma que, de acordo com o plano, a mulher combinou com uma amiga irem com os filhos ao parque de S. Lourenço, em Abrantes, depois do jantar, para estes se distraírem com o jogo virtual dos Pokémon, tendo, antes, dado ao marido, sem este se aperceber, medicamentos com alprazolam (ansiolítico) e mirtazapina (antidepressivo) para ficar sonolento e não se defender dos golpes.

Depois de colocar os filhos (com 10 e 13 anos) no carro, a arguida terá dito que tinha de ir à casa de banho, tendo então ido buscar um martelo com "bico de pato", com o qual terá desferido, pelo menos, sete pancadas na cabeça, que causaram várias lesões à vítima, que se encontraria deitada num sofá-cama no pátio da casa.

O homem terá acordado sobressaltado e terá reagido, acabando por se sentar, ensanguentado e combalido, altura em que a arguida terá agarrado numa faca de cozinha, com a qual desferiu os restantes golpes, até ele deixar de ter reação.

Os pedidos de ajuda da vítima chamaram a atenção dos vizinhos, tendo a arguida tentado lavar o sangue no lavatório da churrasqueira e colocado as sapatilhas e a roupa na máquina de lavar, ficando apenas em roupa interior, indo assim à varanda do quarto, onde gritou por socorro dizendo que haviam sido assaltados por dois encapuzados, lê-se na acusação.

Em fase de interrogatório, a arguida, que se encontra em prisão preventiva, assumiu o crime num contexto de alegada violência doméstica e legítima defesa, afirmando que reagiu por, nessa noite, quando foi estender roupa ao quintal antes de ir ter com a amiga, o marido a ter forçado a ter sexo, versão que a Polícia Judiciária considera não ter cabimento dados os elementos recolhidos.

O relatório pericial de psiquiatria forense refere que a mulher alega que, desde o casamento, em 2003, foi sempre vítima de violência doméstica, psicológica (humilhava-a, desvalorizava-a), física (joelhadas no estômago e dorso e ameaças com facas quando bebia), sexual (obrigava a práticas que não queria), patrimonial e moral, e que no dia do crime "teve medo" e "perdeu o controlo".

A avaliação concluiu que não sofre de qualquer doença psiquiátrica, mas que a violência doméstica a que terá sido exposta durante anos terá levado a um stress extremo, apresentando "dissociação afetiva".

O relatório afirma que o homicídio em violência doméstica não é tipicamente súbito e inesperado, sendo muitas vezes o clímax de uma violência e um padrão continuado de abusos como os descritos, em que episódios de violência eram frequentes, continuados, agravados nos últimos anos, admitindo que o crime "não tenha sido fruto de um impulso momentâneo".

A acusação refere que a vítima era considerada uma pessoa calma e pacífica, estimada, sem hábitos de consumo alcoólicos excessivos e que não eram conhecidas relações extraconjugais ou práticas sexuais em grupo, como não era também seguido nem medicado para ansiedade ou depressão.

O pai e a irmã da vítima constituíram-se assistentes no processo e deduziram um pedido de indemnização cível no valor de 110.000 euros, pedindo ainda a guarda dos menores, que nesta fase ficaram aos cuidados da avó materna.

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