page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

PROTESTO EM PAPEL HIGIÉNICO

Estudantes de Coimbra deixaram ontem cerca de 350 rolos de papel higiénico - quase tantos quantos os euros da propina vigente nos estabelecimentos de Ensino Superior que ainda não fixaram o novo valor - a cem metros do Ministério da tutela, em Lisboa.

19 de setembro de 2003 às 00:00

Assim quiseram mostrar que a verba das propinas não é aplicada com o objectivo de incrementar a qualidade do Ensino Superior, mas em "despesas correntes", nomeadamente com papel higiénico. O monte de rolos serviu ainda, no entender dos estudantes que se deslocaram desde Coimbra, como forma de pagamento daquela taxa.

À espera dos cerca de 20 universitários estava quase o mesmo número de agentes da PSP, que os mantiveram à distância do Ministério. Mais tarde, Vítor Hugo Salgado, dirigente da Associação Académica de Coimbra deixou na portaria um documento com o título "Nós só queremos aprender... a Boa Educação não tem preço", no qual se apela e justifica o boicote às propinas, desde logo "porque o Ensino deixa de ser um direito básico de cidadania para se transformar num serviço pagável".

Segundo disse Vítor Hugo Salgado, o Senado da Universidade de Coimbra deve reunir na primeira semana de Outubro para recomendar o valor da propina. A Associação Académica de Coimbra apoia o "montante mínimo (460 euros), mas, de qualquer forma, vai boicotá-las", afirmou o dirigente associativo, prometendo "forte contestação em Coimbra".

Durante o próximo fim-de-semana decorre, na Madeira, o encontro nacional das direcções associativas. "Aí serão agendadas outras formas de luta a nível nacional", rematou.

MÍNIMO

Nos termos da Lei 37/2003, que estabelece as bases do financiamento do Ensino Superior, cabe às instituições fixar a propina. O valor mínimo é equivalente a 1,3 salários mínimos – cerca de 460 euros.

MÁXIMO

O valor da propina pode variar entre 460 e 852 euros, resultado da actualização, feita pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), do valor cobrado pela primeira vez, em 1941, que foi de 1200 escudos.

DECIDIR

A Universidade Nova de Lisboa foi a primeira a recomendar o valor máximo da propina, embora as faculdades tenham autonomia para acatar ou não. O Politécnico de Leiria fixou uma propina de 500 euros.

MÁXIMO EM 17 FACULDADES

Dezassete faculdades decidiram já aplicar a propina máxima - 852 euros -, a saber as 14 faculdades da Universidade do Porto (UP), a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), e as faculdades de Economia e de Ciências e Tecnologias da Universidade de Lisboa. Só a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (UNL ) se decidiu pelo valor mais baixo (463,58 euros), embora o Senado da UNL recomendasse o mais elevado.

A Faculdade de Ciências Médicas optou por um montante intermédio - 680 euros. Em comunicado, a reitoria da UP refere que já neste novo ano lectivo a propina deverá fixar-se nos 600 euros, um valor que aumentará para 750 no ano seguinte e atingirá o máximo no outro.

A decisão foi tomada após ter-se constatado que se verificavam os pressupostos previstos numa recomendação da Secção Permanente do Senado da UP, nomeadamente o de que o Estado "concede os benefícios sociais adequados a todos os estudantes carenciados".

Aos estudantes da FCUL com aproveitamento escolar, agregados familiares de baixos rendimentos e que não tenham bolsa é atribuída a isenção parcial de propina de 350 euros.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8