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Tempestade sem aviso deixa rasto de destruição na Madeira

Autarcas e especialistas criticam nível de alerta feito pelo IPMA após dilúvio que arrasou freguesia no lado norte da ilha.

27 de dezembro de 2020 às 09:47

"Foi o pior dia da história desta freguesia. Foram horas complicadas e de muita aflição. Hoje vejo que a situação é pior do que imaginava. O nosso cemitério está totalmente destruído, temos habitações também destruídas e há estradas e caminhos que colapsaram." O relato é do presidente da Junta de Freguesia da Ponta Delgada, a localidade mais afetada pelo dilúvio que se abateu no lado norte da ilha da Madeira no dia de Natal, que lamenta as falhas na previsão do tempo, o que levou a que todos fossem apanhados desprevenidos. "Acredito no profissionalismo das pessoas, acredito no sistema e que os modelos de previsões existem por algum motivo, mas alguma coisa correu mal", lamenta Miguel Freitas, que espera que tal "não volte a acontecer na região da Madeira", já que se trata da segunda falha no que diz respeito às previsões de pluviosidade.

Também o diretor do Observatório Meteorológico do Funchal admitiu este sábado que o aviso emitido para a Madeira devia ter sido vermelho e não amarelo, mas frisou que se trata de previsões, pelo que são falíveis.

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Casal de idosos desalojado após passagem de tempestade na ilha da Madeira

As operações de limpeza de casas, estradas e linhas de água prosseguiram este sábado nas freguesias de Ponta Delegada e Boaventura. "Em termos de prejuízos, estimo entre 40 e 50 mil euros em eletrodomésticos e mobiliário, porque nada sobrou", conta Simone Teixeira, em frente à casa dos pais – ainda com a água a correr abundantemente no interior.

PORMENORES

Barcos no porto de abrigo

A capitania do Porto do Funchal prolongou o aviso de vento forte para o mar da Madeira até hoje, recomendando que as embarcações permaneçam nos portos de abrigo.

Localidades isoladas

Algumas localidades da freguesia da Ponta Delgada, concelho de São Vicente, na costa norte da Madeira, continuavam ontem isoladas devido ao temporal, apesar dos trabalhos de limpeza das estradas. "Neste momento, só é possível chegar a alguns sítios de 4x4", disse o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, José António Garcês.

4 vezes acima do alerta

Pelas 18h00 de sexta-feira, as estações meteorológicas registaram 161 milímetros de precipitação no Porto Moniz, 115,7 no Pico do Areeiro, 90 em Santana, 76 no Pico Alto, 40 no Funchal e 39 milímetros em Porto Moniz. O critério do IPMA para a emissão de um alerta vermelho é de 40 mm de precipitação por hora.

Proteção Civil dá apoio

O Ministério da Administração Interna (MAI) disponibilizou apoio na área da Proteção Civil ao Governo regional da Madeira, devido aos estragos provocados pelo temporal de quinta-feira na região norte da ilha.

Inundações forçam retirada de 27 pessoas de casa

A tempestade do dia de Natal fez com que 27 pessoas fossem retiradas de casa por motivos de segurança, mas as habitações não sofreram danos significativos, além de inundações, de acordo com dados da autarquia de São Vicente.

Alerta de moradores para desvio de córrego ignorado

Segundo Simone Teixeira, tanto a autarquia como a junta de freguesia foram alertadas há dez anos para o "estrangulamento e desvio" de um córrego ao lado da casa dos pais. A denúncia foi ignorada e a casa dos idosos ficou agora destruída.

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