Funcionário foi atacado por dois sócios.
O tesoureiro dos Bombeiros Voluntários da Ajuda foi agredido ao início da tarde por dois sócios, no mesmo dia em que cinco bombeiros da corporação reclamam salários em atraso, disse à Lusa fonte da direção.
Fonte da direção dos Bombeiros Voluntários da Ajuda disse à Lusa, ao início da tarde, que o tesoureiro da corporação tinha sido agredido por dois sócios que entraram no escritório onde aquele se encontrava.
"O senhor tesoureiro pediu várias vezes para saírem e, como os dois sócios não acataram o pedido, este terá tentado empurrá-los. Foi quando foi agredido no maxilar", explicou a fonte.
Fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa confirmou a existência de uma agressão no quartel da Ajuda, embora não tenha conhecimento dos contornos em que a mesma aconteceu.
No entanto, a fonte policial explicou que o agredido "não necessitou de tratamento hospitalar", adiantando também não ter conhecimento se o lesado "terá ou não apresentado queixa" ao efetivo policial que estava no local.
Durante a manhã desta segunda-feira, a autoridade foi chamada ao quartel da Ajuda devido a uma situação de vários bombeiros que estavam a reivindicar salários em atraso.
A CNN Portugal avançou esta segunda-feira que quatro bombeiros voluntários estavam "barricados no quartel em protesto para exigir o pagamento de salários em atraso".
Segundo a estação de televisão, cinco dos nove bombeiros do quartel estão sem receber salário, pelo menos, desde setembro e por isso "resolveram barricar-se no edifício até que lhes seja reposto o ordenado", sendo que um dos cinco elementos se encontra de baixa e, como tal, "não está no protesto".
Inicialmente, fonte do Cometlis adiantou à Lusa que os bombeiros estavam em protesto, não tendo conhecimento de que estariam barricados.
A Lusa tentou uma reação por parte da direção dos Bombeiros Voluntários da Ajuda que remeteu explicação para um comunicado a ser enviado às redações.
No final de setembro, a vice-presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (AHBV) da Ajuda admitiu que a corporação vivia "uma situação financeira dramática" e corria o risco de não receber o ordenado deste mês, tendo já feito vários pedidos de ajuda.
As dificuldades financeiras da AHBV já são uma realidade desde, pelo menos, o início do ano, mas "agudizaram-se nos últimos dias" segundo relatou na altura à Lusa, Cristina Santos.
A responsável explicou que a atual direção, que tomou posse em maio, "herdou muitas dívidas" da direção anterior, mas que contou com a ajuda financeira de "um senhor benemérito do Algarve" que, entretanto, "desistiu de ajudar", por divergências com o comandante em regime de substituição.
Cristina Santos disse então que, face a esta situação "dramática", a direção dos bombeiros da Ajuda tinha contactado várias entidades, entre elas a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Lisboa, aguardando uma resposta.
Contactada na altura pela Lusa, fonte da Câmara de Lisboa, presidida pelo social-democrata Carlos Moedas, disse estar a "acompanhar o caso" e "em contacto permanente com o comando e com a direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ajuda", mas ressalvou que a autarquia está "legalmente impedida de apoiar financeiramente custos de gestão corrente de entidades terceiras".
"Os bombeiros voluntários da cidade de Lisboa, nos quais se incluem os bombeiros voluntários da Ajuda, são instituições independentes, cuja gestão é da sua inteira responsabilidade e em função do mandato conferido pelos respetivos associados", explicou a Câmara.
A autarquia referiu ainda que "o socorro na área de atuação afeta aos bombeiros voluntários da Ajuda está devidamente assegurado pelo Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa".
A Câmara de Lisboa já tinha referido em janeiro que estava a acompanhar situação financeira na corporação, assegurando que o socorro não estava posto em causa.
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