Mulher de empresário assume homicídio a tiro e diz que vítima ameaçou matá-la, em Vila Verde.
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Maria Júlia Ferreira mentiu nas duas primeiras vezes em que foi ouvida na PJ de Braga. Mas esta quinta-feira à tarde não aguentou a pressão de estar detida e confessou ter assassinado o marido, ilibando o filho, também suspeito de ter participado no homicídio.
Aceitou participar, à noite, na reconstituição dos factos na casa onde o casal viveu mais de 30 anos em Moure, Vila Verde, e onde António Ferraz foi executado a tiro de caçadeira. O corpo foi depois escondido na mala da carrinha que a vítima conduzia e o veículo abandonado num terreno.
A viúva confessou o crime que diz ter cometido numa situação de desespero. Alega que o marido lhe batia e ameaçou matá-la. Desesperada e com medo, pegou num caçadeira e disparou: atingiu-o no pescoço e o empresário teve morte imediata. O filho, José Miguel Costa, de 20 anos, não foi detido ontem por estar em França. Mas foi emitido um mandado internacional de captura para que seja entregue à Polícia Judiciária de Braga.
A homicida foi confrontada com as provas evidentes recolhidas pela investigação que começou a 25 de outubro de 2017 - quando ela própria e o filho fingiram ter encontrado o veículo.
No dia anterior tinha participado o desaparecimento do marido à GNR, mas foi tramada pelo telemóvel. A localização celular confirma que antes de dar o alerta à GNR, tinha estado no local onde o corpo viria a ser encontrado. Mas há mais: uma testemunha viu a homicida a rondar a carrinha onde jazia o empresário, num terreno junto a uma estrada secundária em Palmeira, Braga.
Aproximou-se três vezes do veículo e chegou a abrir a porta e a espreitar para o interior. O cadáver do marido estava na mala tapado com uma placa de plástico preto. Só no dia seguinte, à tarde, ligou à GNR dando conta de que tinha encontrado a Mercedes Vito.
Pede perdão ao marido em texto no Facebook
Um dia depois de ter encontrado o cadáver do marido, Maria Júlia Ferreira publicou na sua página do Facebook, na internet, um texto emotivo onde pedia perdão. "Estivemos juntos 31 anos com algumas zangas, mas gostei sempre de ti. Perdoa-me tudo o que te fiz", escreveu a viúva, que está agora indiciada pelo homicídio. Ontem, a casa onde a família viveu, em Moure, foi o local central das buscas da Judiciária. O objetivo era encontrar a arma do crime.
Mercedes onde estava cadáver sem sinais de luta
A ausência de sangue no interior da carrinha Mercedes Vito onde foi encontrado o cadáver de António Costa adensou o mistério em torno da morte do empresário. O homem foi executado com um único disparo, ao que tudo indica, feito por uma caçadeira. No entanto, a arma do crime continuava ontem por localizar. António Costa não apresentava outros ferimentos, nem sinais de ter lutado.
PORMENORES
Crimes
Mãe e filho estão indiciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Mas só a mulher foi ontem detida em casa pela PJ de Braga e passou já a arguida no processo.
Interrogatório judicial
Maria Júlia Ferreira passou a noite numa cela da PJ de Braga. Vai ser ouvida pelo juiz de Instrução de Guimarães e deve ficar em prisão preventiva.
Namorada ouvida na PJ
A namorada de José Miguel Costa também foi levada para a PJ de Braga, ontem, onde foi ouvida como testemunha.
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