Diretor do DCIAP invocou dignidade para impedir audição de Costa e Marcelo
Albano Pinto travou audições de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa no caso de Tancos.
O Diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) invocou a "dignidade e o prestígio do cargo" de Presidente da República (PR) e de primeiro-ministro para impedir a audição, como testemunhas, de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa no processo de Tancos.
Albano Pinto determinou, com o apoio da procuradora-geral da República, Lucília Gago, a proibição destas audições, num despacho, de julho passado, que ficou fora do inquérito e permaneceu secreto.
O diretor do DCIAP considerou, segundo revelou esta quinta-feira a revista ‘Sábado’, que as declarações do PR e do primeiro-ministro não teriam "nada a ver com as finalidades do inquérito, nem tão pouco, e ainda que tivessem, se poderiam considerar como absolutamente necessárias, como de todo imprescindíveis à indiciação de qualquer dos elementos que a investigação do inquérito deve ter por objeto".
A decisão de Albano Pinto não teve a "anuência" dos procuradores do processo, ao contrário do que disse a Procuradoria-Geral da República (PGR) na última terça-feira.
O diretor do DCIAP ordenou também aos procuradores que eliminassem dos questionários por escrito que se preparavam para enviar a João Cordeiro, ex-chefe da Casa Militar do PR, a Rovisco Duarte, ex-chefe de Estado-Maior do Exército, e à antiga PGR Joana Marques Vidal, qualquer referência ao PR e ao primeiro-ministro.
Por esta via, terão sido suprimidas 48 questões, por não terem "utilidade".
PORMENORES
Telemóvel do ex-ministro
A apreensão do telemóvel de Azeredo Lopes, no dia em que foi ouvido como arguido (5 de julho de 2019), permitiu descobrir a mensagem que enviou a um deputado do PS, onde admite que sabia da operação de recuperação das armas.
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