Acusações mútuas marcam debate entre candidatos a bastonário da Ordem dos Advogados
Menezes Leitão foi acusado de representar o passado. Ripostou defendendo que a Ordem ficou parada durante os últimos três anos.
O atual bastonário Guilherme Figueiredo acusou ontem Menezes Leitão de representar o passado, por ter na sua lista "pessoas que deixaram a Ordem dos Advogados num caos".
Em debate na CMTV, antes da segunda volta das eleições que decorrem entre hoje e sexta-feira, Menezes Leitão, da lista Z, ripostou, acusando o bastonário de "não ter reparado que passaram três anos e a Ordem nada fez".
Na primeira volta, os candidatos ficaram separados por mais de 1400 votos, em cerca de 24 mil votantes, com vantagem para Guilherme Figueiredo, da lista Q - o bastonário arrecadou 6121 votos e o oponente 4677. Luís Menezes Leitão, atual presidente do Conselho Superior, acusou a Ordem de "opacidade", por ter deixado de "publicar as atas".
O bastonário garantiu, no entanto, que se limitou a cumprir as determinações da Comissão Nacional de Proteção de Dados.
Menezes Leitão acusou ainda o bastonário de ter promovido "um aumento colossal das contribuições" para a Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS), com cada advogado a contribuir "com 252,38 euros por mês, mesmo que nada receba". Guilherme Figueiredo negou, garantindo que foram encontrados mecanismos para limitar o aumento que poderia ter chegado aos 400 euros.
Em relação à delação premiada, ambos são contra, mas Guilherme Figueiredo admite vantagens no melhoramento do sistema de direito premial. O bastonário criticou o oponente, que acusa de querer acumular o cargo na Ordem com a presidência da Associação de Proprietários Lisbonenses. Não teve resposta.
Luís Menezes Leitão
"Estou totalmente contra a delação premiada. Cria sistema em que muitas vezes há documentos forjados.’’;
"Passaram três anos e a ordem não fez nada. a situação dos estagiários não melhorou, e deixou de publicar atas no site, vive em opacidade total.";
"Houve aumento colossal das contribuições da Caixa de previdência. Mesmo que nada receba, paga-se 252,38 euros.";
"Ordem perdeu a influência, é ignorada e queremos voltar a ter uma voz ativa.";
Guilherme Figueiredo
‘‘Se for delação premiada estamos contra. Já um sistema de atenuação da pena com meios de prova em audiência pode combater a corrupção";
‘‘Menezes Leitão representa o passado. Na lista tem pessoas que deixaram a ordem num caos de que estamos a tentar recuperar.";
"O aumento na contribuição para a caixa já vem de 2015. Encontrámos forma de reduzir ou já pagariam perto dos 400 euros.’’;
‘‘Não podemos ter bastonários que berram quando veem um microfone.";
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt