Anafre critica postura da E-Redes e propõe linha para enfrentar calamidades

Associação Nacional de Freguesias diz que E-Redes está a encaminhar para estas a responsabilidade de repor a energia.

13 de fevereiro de 2026 às 17:27
Anafre critica postura da E-Redes e propõe linha para enfrentar calamidades Foto: Rita Cotrim
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A Associação Nacional de Freguesias (Anafre) acusou esta sexta-feira a E-redes de encaminhar para as juntas problemas que não são da sua competência, propondo ainda a criação de uma linha de financiamento para as autarquias enfrentarem calamidades.

Num comunicado enviado à Lusa, a Anafre denuncia "que a E-Redes está a encaminhar para as juntas de freguesia reclamações relacionadas com falhas no fornecimento de eletricidade, apesar de estas não terem qualquer competência ou responsabilidade nessa matéria".

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"Tem sido transmitido aos cidadãos que se dirijam às juntas de freguesia quando se encontram sem energia, mas, por sua vez, estas não conseguem obter resposta célere da empresa. Esta postura é lamentável e exige um esclarecimento público", insta a direção da Anafre no comunicado.

A Anafre "recolheu diversos relatos de falhas no abastecimento e na manutenção de geradores sob responsabilidade da E-Redes, bem como situações em que os autarcas foram impedidos de intervir para assegurar a continuidade do funcionamento desses equipamentos sem a presença de operacionais mandatados pela empresa", refere.

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"Havia geradores que paravam e ninguém podia atuar até à chegada da E-Redes", refere também a direção da Anafre.

A Lusa contactou a E-redes sobre esta questão e aguarda resposta.

O comunicado da Anafre surge na sequência da visita realizada pelo seu presidente, Francisco Branco de Brito, e vice-presidentes à região Centro, fortemente afetada pela tempestade Kristin, em que também foi feita uma proposta para o futuro.

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"A Anafre irá propor ao Governo a criação de uma linha de financiamento para equipar as freguesias com equipamentos de primeira intervenção em contexto de calamidade, nomeadamente: geradores, sistemas de comunicação por satélite, equipamentos para desocupação de vias, entre outras necessidades apontadas pelos autarcas de freguesia que estão no terreno", pode ler-se no comunicado enviado à Lusa.

Para o presidente da associação, Francisco Branco de Brito, que observou no terreno o papel das juntas de freguesia na resposta imediata à emergência, "é fundamental que o Estado reconheça este esforço e assegure os recursos necessários para a recuperação célere dos territórios afetados.

"A Anafre sublinha que este é um momento para reforçar a união entre instituições e comunidades. A capacidade de resposta demonstrada no terreno revela que, com os meios adequados e uma cooperação eficaz entre o poder local e o Estado, será possível reconstruir, recuperar e preparar melhor o futuro", considera.

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Para a associação, a "solidariedade das populações e o empenho das freguesias são sinais claros de que, juntos, será possível transformar esta adversidade numa oportunidade para construir territórios mais seguros, resilientes e preparados para os desafios que possam surgir".

"A ANAFRE continuará a pugnar para que as freguesias tenham mais competências reconhecidas no âmbito da Proteção Civil, com a devida entrega de meios", aponta.

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Dezasseis pessoas morreram em Portugal continental na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

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O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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