"Apagão completo" nas freguesias rurais de Leiria. Não há energia elétrica há uma semana

Segundo o autarca, "a situação do restabelecimento da energia está num processo lento".

04 de fevereiro de 2026 às 15:09
Depressão Kristin deixou rasto de destruição em aldeia do concelho de Leiria Foto: Ricardo Almeida
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O presidente do município de Leiria afirmou, esta quarta-feira, que há um "apagão completo" nas freguesias rurais do concelho, onde há uma semana não há energia elétrica devido à depressão Kristin.

"O apagão é de tal maneira grave que são, sobretudo, as populações que vivem nas freguesias urbanas que têm energia. A partir do momento que passamos para um raio de quilómetros que se afasta da cidade, é o apagão completo", declarou aos jornalistas Gonçalo Lopes, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, o centro de operações do município para responder ao impacto da depressão Kristin.

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Segundo o autarca, "a situação do restabelecimento da energia está num processo lento".

Declarando-se muito preocupado "com as zonas mais afastadas das infraestruturas públicas, de fornecimento de água, luz e comunicações", o presidente da Câmara alertou que as pessoas que vivem nas freguesias mais rurais estão a passar por "momentos dramáticos, porque estão apagados há mais de sete dias".

"A fase que tínhamos previsto de restabelecimento está a demorar muito mais tempo do que tínhamos pensado, o que coloca estas populações num nível de preocupação e de alarme que merece um reforço e uma estratégia muito mais rápida e contundente, não só no restabelecimento do fornecimento de eletricidade em alta, mas muito em especial em linhas de trabalho para recuperar toda a distribuição da energia em baixa", defendeu.

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O autarca considera que deveria ter tido o "apoio massivo de geradores", evitando "prejuízos enormes para a vida das pessoas".

"Monte Real, Carvide, Souto da Carpalhosa, Coimbrão, Monte Redondo, Bajouca, Bidoeira, Colmeias, Memória, Caranguejeira, Santa Catarina da Serra, tudo o que tem a ver com o arco mais distante e que precisa de alimentação em alta, está prejudicado no seu fornecimento", adiantou, frisando que "são estas as populações que estão a sofrer e são muitas".

Para Gonçalo Lopes, "o grau de desespero e de tolerância começa a esgotar-se", assim como o grau de tolerância da população, notando que "sete dias é um marco dramático, porque não se conseguiu dar uma resposta mais rápida".

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"A rapidez da resposta acho que tem de ser avaliada", acrescentou.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

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Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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