Cheira bem? Mas não cheira a Lisboa, cheira a azeitona. Saiba porquê

Com o vento a soprar de sudeste o odor torna-se incomodativo e a origem do mesmo já foi encontrada.

20 de março de 2026 às 19:05
Odor intenso chegou à capital Foto: Direitos Reservados
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Um cheiro intenso a azeitona tem-se feito sentir esta semana desde a península de Setúbal até à grande Lisboa, o que suscitou diversos comentários nas redes sociais. Com o vento a soprar de sudeste o odor torna-se incomodativo e a origem do mesmo já foi encontrada. “É uma situação idêntica à dos dois anos anteriores nesta altura do ano. Pensamos que a origem são três a quatro fábricas de processamento de bagaço de azeitona que existem na zona de Ferreira do Alentejo”, afirmou ao CM Sofia Teixeira, investigadora no Centro de Investigação para o Ambiente e Sustentabilidade da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. “Este ano há maior intermitência do cheiro porque tem havido chuva e não detetamos com tanta frequência”.

O bagaço de azeitona é um subproduto que resulta da produção de azeite nos lagares. É utilizado por várias indústrias como fonte de energia. “Lisboa fica longe da origem mas deveria ser mais estudado o impacto nas povoações vizinhas, onde se calhar ocorre todo o ano e com consequências psicológicas”. O ano passado, a Agência Portuguesa do Ambiente confirmou em fevereiro a existência de “concentrações elevadas de compostos odoríferos na área da Grande Lisboa”, mas garantiu que não se registou “qualquer problema em termos de poluentes medidos que possam afetar a saúde”.

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Sofia Teixeira nota que em Portugal “não existe regulamentação específica para odores”, como sucede por exemplo na Alemanha e em Inglaterra. “Há apenas o regime da qualidade do ar que não contempla odores”, afirmou.

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