Doentes portugueses são dos que mais esperam pela chegada de novos medicamentos

Relatório internacional que compara 36 países coloca Portugal no penúltimo lugar, com um tempo médio de espera de 784 dias entre a autorização de introdução no mercado e a data de disponibilização aos doentes.

19 de maio de 2026 às 15:41
Tempo médio de espera de 784 dias entre a autorização de introdução no mercado e a data de disponibilização aos doentes. Foto: Direitos Reservados
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Portugal é o segundo país europeu onde os novos medicamentos demoram mais tempo a chegar ao mercado, segundo um relatório internacional que revela que os portugueses têm de esperar mais de dois anos por novos fármacos.

Esta é uma das conclusões do relatório da Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA), que aponta para "um cenário de desigualdade crescente" no acesso e disponibilidade de medicamentos inovadores na Europa.

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Os investigadores quiseram perceber quanto tempo demora uma nova terapia a ficar disponível e para isso olharam para 168 fármacos que receberam autorização de comercialização entre 2021 e 2024.

Em média, estes medicamentos demoraram 532 dias a chegar ao mercado, mas existem grandes disparidades entre países: os alemães tiveram de esperar apenas 56 dias, enquanto os romenos aguardaram 1.201 dias, ou seja, mais de três anos e quatro meses.

Neste 'ranking', que compara 36 países, Portugal surge em penúltimo lugar, com um tempo médio de espera de 784 dias entre a autorização de introdução no mercado e a data de disponibilização aos doentes.

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Entre os que esperam menos tempo estão, depois dos alemães, os suíços (212 dias), sérvios (235), austríacos (259), dinamarqueses (268) e ingleses (282).

Já no fim da tabela, ligeiramente melhores do que os romenos e os portugueses, estão os lituanos, que têm de esperar em média 783 dias, os croatas (666 dias) e os polacos (655).

Os investigadores foram ver também quantos medicamentos aprovados continuavam sem chegar ao mercado e perceberam que era a maioria: Das 168 novas terapias, apenas 76 estavam disponíveis no início deste ano (45%).

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Neste campo, Portugal destaca-se pela positiva, com 89 medicamentos disponíveis (53%), ficando em 12.º lugar do 'ranking' novamente liderado pela Alemanha, que em janeiro deste ano já tinha 93% dos fármacos no mercado.

Depois da Alemanha, surge a Áustria (85%) , Itália (79%), Suíça (76%) e Espanha (69%).

No fim da tabela, aparecem Malta, com apenas 22 medicamentos disponíveis, Sérvia (17 fármacos) e Turquia (apenas nove).

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Os investigadores sublinham que existe uma "disparidade de acesso de 88% entre o país europeu com melhor acesso e o com pior acesso".

O estudo mostra ainda que a situação está a agravar-se e, atualmente, há maiores desigualdades entre os estados-membros, os pacientes europeus esperam mais tempo e há maiores restrições.

Antes, a disponibilidade total dos novos medicamentos era a principal forma de acesso, mas agora há cada vez mais restrições, alertam os investigadores.

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A percentagem de medicamentos totalmente disponíveis nas listas públicas de reembolso caiu a pique nos últimos anos: Eram 42% em 2019 e agora são 28%.

A Alemanha volta a ser o país que apresenta melhores condições, com 93% dos medicamentos totalmente disponíveis, por oposição à Turquia, onde os pacientes têm acesso apenas a 5% dos fármacos. Em Portugal o valor é de 28%, igual à média europeia.

Os investigadores apontam várias causas para a indisponibilidade e atraso no acesso a novos medicamentos, desde a lentidão dos processos regulatórios, ao desalinhamento nos requisitos de evidência e orçamentos insuficientes nos Estados-Membros.

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No estudo, a EFPIA defende mais investimento nos novos medicamentos e que os pacientes possam ter acesso aos novos tratamentos "enquanto decorrem os processos nacionais de avaliação de valor terapêutico e de reembolso, dentro de um prazo acordado de 180 dias".

A diretora geral da EFPIA, Nathalie Moll, alerta para o facto de a Europa enfrentar "problemas de acesso a medicamentos há 25 anos", estimando que as reformas globais de preços agravem a situação.

"É irrealista esperar maior investimento na Europa e acesso mais rápido a novos tratamentos para os europeus se os Estados-Membros continuarem também a exigir os preços mais baixos possíveis e as mais elevadas taxas de devolução ao Estado. Precisamos de fazer uma escolha", acrescentou.

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