Casas e empresas esperam há um mês pela reposição da eletricidade em Leiria
Um milhão de clientes ficou sem energia. Ainda há dezenas de pessoas às escuras.
O poste que deveria servir para levar a eletricidade para a casa de Ana Paula Silva, na freguesia de Amor, Leiria, está mesmo à porta, mas os cabos continuam no chão, desligados, faz este sábado um mês: foi um das centenas derrubados pelos ventos fortes da tempestade ‘Kristin’, que varreu o Oeste e o Centro do País na madrugada de 28 de janeiro, deixando 19 mortos, centenas de casas destruídas e um milhão de clientes sem energia. “Estamos na Idade da Pedra, as semanas vão passando e continuamos sem eletricidade”, diz.
Na rua, já todos os vizinhos têm luz em casa, a dela ficou para trás, para seu desespero. Diz estar “exausta”. “Isto é uma vergonha, é angustiante e inadmissível, porque não se consegue viver com um serviço que é básico nos dias de hoje”, conta Ana Paula Silva, adiantando que no seu estabelecimento, no centro da freguesia de Amor, tem energia elétrica mas não tem comunicações.
Na freguesia vizinha de Carvide, ainda no concelho de Leiria, Luís Barbeiro também espera há um mês pelo regresso da eletricidade à casa onde vive com a mulher e a filha de nove anos, e aos pavilhões onde se dedica à criação de cavalos, tendo 90 a seu encargo, sendo alguns de clientes.
“Não percebo como vêm dizer que toda a gente tem luz quando isso não é verdade”, diz o criador, adiantando que o seu contador é o único na rua que ainda não foi ligado. Como não tem eletricidade, também não tem água, pois serve-se de um furo: “Sem contar com o consumo em casa, gastamos sete mil litros de água por dia e estamos a recorrer à ajuda dos bombeiros para ter água”, explica.
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