Prejuízos provocados pelo mau tempo ascendem a 2,5 milhões de euros em Santa Marta de Penaguião

No montante de 2,5 milhões de euros não se incluem os estragos nas explorações agrícolas.

19 de fevereiro de 2026 às 17:58
Chuva Foto: Vítor Mota
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O município Santa Marta de Penaguião contabiliza mais de 2,5 milhões de euros de prejuízos provocados pelo mau tempo no concelho, onde moradores do lugar do Viso ficaram sem acesso rodoviário após abatimento de muro de estrada.

O alerta para a queda do muro de suporte da estrada que dá acesso ao bairro de 12 casas no lugar do Viso, na localidade de São João de Lobrigos, foi dado na sexta-feira à noite. Os moradores ainda retiraram os carros e a estrada ficou cortada ao trânsito, passando-se, agora, apenas a pé.

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"Fomos a uma consulta e aproveitamos para fazer algumas compras e vamos para casa, mas agora tem que ficar aqui o carro", afirmou Amélia Meireles, 69 anos, que a Lusa encontrou esta quinta-feira num pequeno largo onde começa a estrada de acesso ao lugar do Viso.

Amélia disse que esta situação causa "grandes transtornos". "Não há alternativa porque, mesmo pelas vinhas, está tudo destruído", referiu, sublinhando que o regresso a casa tem que se fazer a pé.

O marido, Raul Meireles, explicou que lhe ligaram na sexta à noite a avisar do fecho da estrada, mas reconheceu que nem teve noção das condições em que estava a estrada quando retirou o carro para o outro lado.

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Disse ainda que, por causa desta interdição, o padeiro já não vai ao bairro, nem o carteiro.

A presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião, Sílvia Silva, disse que, numa primeira estimativa, os prejuízos neste concelho do Douro, no sul do distrito de Vila Real, ascendem já aos 2,5 milhões de euros.

"Quando apurámos este valor ainda não tínhamos este muro que caiu na sexta-feira à noite", salientou, referindo-se à ligação ao lugar do Viso, pelo que advertiu que o montante dos prejuízos ainda pode aumentar.

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As chuvas intensas, acompanhadas de vento forte, derrubaram muros, provocaram deslizamentos de terras e afetaram a rede viária do concelho, onde há estradas condicionadas e até fechadas ao trânsito.

Para além de São João de Lobrigos, os maiores condicionamentos são sentidos em Alvações do Corgo, aldeia que está sem acesso direto à sede do concelho, pelo que os moradores têm que fazer o trajeto mais longo pelo Peso da Régua, e ainda em Carvalhais (Fornelos).

Sílvia Silva destacou que uma das prioridades é a recuperação do muro no lugar do Viso para que se possa estabelecer aquela ligação, enquanto para as outras duas situações vai ser precisa uma avaliação técnica para se identificar a melhor forma de agir.

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Em causa estão um abatimento na estrada de Carvalhais e uma ponte para Alvações do Corgo.

"Queremos ter a certeza de que a ponte está sólida e não apresenta qualquer tipo de risco", afirmou, explicando que, depois de confirmar a segurança da ponte, se pode avançar com uma ligação alternativa até à aldeia, através de um terreno da Infraestruturas de Portugal (IP), já que também o muro de suporte da atual estrada, perto da localidade, está em risco de colapso.

Sílvia Silva referiu que os constrangimentos na rede viária estão também a ter impacto na economia deste concelho, que assenta principalmente na produção de vinho.

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"Economicamente as coisas não param. Este recuperar, este limpar e este andar, no fundo, é a ajuda no bolso de cada um, na economia do concelho", afirmou.

Para canalizar verba para a recuperação do concelho, a Câmara cancelou eventos culturais e desportivos.

"Tudo o que tínhamos alocado a atividades passamos para rubricas de muros, vias e recuperação e é lá que vamos, para já, buscar verba para pormos o concelho funcional e ativo, esperando nós que, depois, em breve haja alguma coisa que venha em prol desta gente toda", afirmou.

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Explicou que se trata de uma verba de "cerca de um milhão de euros", que estava destinada a eventos, mas que "já não é suficiente".

Se não forem alocados apoios estatais, a autarca disse que pondera recorrer à banca, salvaguardando que importante é que o concelho não pare.

O município, entretanto, remeteu um dossiê ao Governo com o levantamento dos prejuízos.

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No montante de 2,5 milhões de euros não se incluem os estragos nas explorações agrícolas.

A câmara disponibilizou um gabinete para apoiar os agricultores no preenchimento dos formulários 'online' da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), para reporte dos estragos causados pelas tempestades que assolaram o país.

O técnico do município Hugo Araújo disse que, neste gabinete, já apoiou 60 viticultores que maioritariamente reportaram quedas de muros de xisto, que suportam os socalcos das vinhas.

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Referiu ainda que a grande parte destes agricultores é proveniente de Alvações do Corgo.

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