Rede Expressos alega que tribunal não obriga à entrada automática da Flixbus em Sete Rios

FlixBus estimou perdas de 12,5 milhões de euros em 2024 devido ao impedimento de acesso ao terminal de Sete Rios.

10 de março de 2026 às 12:42
Autocarro da Flixbus Foto: Getty Images
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O conflito entre a Flixbus e a Rede Expressos sobre o acesso ao terminal rodoviário de Sete Rios, em Lisboa, mantém-se, com a gestora da infraestrutura a alegar que o tribunal não determina a entrada automática da concorrente na infraestrutura.

Num comunicado emitido hoje depois de a Flixbus anunciar que o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa decidiu a concessão imediata do acesso ao terminal rodoviário de Sete Rios, a Rede Nacional de Expressos (RNE) contrapõe que a instância judicial "não acolheu o pedido apresentado pela FlixBus relativo ao acesso a 96 horários" no tribunal.

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A empresa portuguesa afirma que o tribunal decidiu que "cabe à gestora desta infraestrutura apreciar e conceder, caso a caso, a atribuição" dos horários pedidos pela concorrente alemã "ou por qualquer outro operador".

A Flixbus, multinacional alemã, intentou uma ação em novembro de 2025 contra a Rede Expressos, atual concessionária da gestão da principal infraestrutura rodoviária da capital portuguesa para viagens de autocarro de longo curso, para poder utilizar este espaço, alegando que está a ser discriminada por parte da concessionária.

Ao pronunciar-se sobre o diferendo, o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, numa sentença emitida em 08 de março, determinou "a concessão imediata de acesso ao terminal rodoviário de Sete Rios, limitada à capacidade (efetivamente) disponível no terminal".

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A Rede Expressos entende que, nesta sentença, "não se determina a entrada automática da FlixBus no terminal de Sete Rios, ficando estipulado que o acesso se encontra necessariamente condicionado à existência de capacidade efetiva e à disponibilidade de cais e de estacionamento no terminal, circunstâncias que deverão ser avaliadas e justificadas de forma objetiva de acordo com a lotação", alega a empresa.

"O Tribunal deu como não provados todos os prejuízos alegados pela Flixbus por não ter acesso ao Terminal de Sete Rios", frisa a RNE, sublinhando que a decisão "é passível de recurso" e que "mantém como foco da sua atuação a qualidade e a segurança no funcionamento" da infraestrutura.

O diferendo entre as duas empresas começou em 2023, cerca de dois anos antes de chegar aos tribunais em 2025, quando a Flixbus apresentou uma queixa à Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) pelo facto de a RNE recusar o acesso ao terminal de Sete Rios e, em maio de 2025, o regulador determinou o acesso equitativo e não discriminatório àquela infraestrutura.

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Como a RNE negou o acesso, a Flixbus avançou para tribunal.

Na sentença agora conhecida, o tribunal de primeira instância decide que, para a Rede Expressos dar acesso imediato, deve cumprir oito passos, começando por "indicar a disponibilidade de cais e estacionamento, especificando a quantidade (efetivamente) disponível vs. ocupada", por "avaliar cada horário solicitado pela FlixBus, indicando claramente quais horários podem ser acomodados e quais não podem, com justificativa objetiva", e por "atribuir horários concretos de paragem de acordo com a capacidade (efetivamente) disponível, podendo recorrer a deferimento parcial, sem recusa global injustificada".

A decisão prevê ainda que o operador de Sete Rios deve "comunicar de forma clara e autossuficiente os horários permitidos, sem remeter apenas a sites ou documentos externos" e "assegurar que a decisão cumpre o artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 140/2019, garantindo acesso em condições de igualdade, não discriminação e transparência".

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Por fim, o tribunal refere que a RNE deve "abster-se de condicionar o acesso a requisitos sem base legal (como capital mínimo de 50 milhões de euros)" e "garantir que qualquer decisão futura respeite os princípios da igualdade e da livre iniciativa económica, evitando favorecer operadores com vínculos societários ou operacionais à RNE".

A FlixBus estimou perdas de 12,5 milhões de euros em 2024 devido ao impedimento de acesso ao terminal de Sete Rios.

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