Região de Leiria longe da efetiva recuperação e com "problemas gravíssimos" nas comunicações após depressão Kristin

Segundo Jorge Vala, a região mantém "muitas empresas e casas danificadas, muito por falta de apoio financeiro, mas também por falta de mão-de-obra".

28 de julho de 2026 às 13:34
Depressão Kristin deixa rasto de destruição na aldeia de Barracão, concelho de Leiria Foto: Ricardo Almeida
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O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria disse esta terça-feira que este território, gravemente afetado pela depressão Kristin, continua longe da efetiva recuperação e com "problemas gravíssimos ao nível das comunicações fixas".

"Nós ainda continuamos longe daquilo que é a efetiva recuperação do território e temos de o dizer em bom nome das nossas comunidades, da nossa população", afirmou aos jornalistas Jorge Vala, em Leiria, à margem de uma reunião da CIM.

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Fazem parte da CIM os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

Segundo Jorge Vala, seis meses após a depressão Kristin, a região mantém "muitas empresas e casas danificadas, muito por falta de apoio financeiro, mas também por falta de mão-de-obra", um problema já conhecido e que tem "vindo a acentuar-se".

"Depois, continuamos com problemas gravíssimos ao nível das comunicações fixas. As comunicações fixas são essenciais para o bom funcionamento da economia e continuamos a ter muitas deficiências no sistema, continuamos, infelizmente, a ter muita fibra ótica espalhada pelo chão, pelos caminhos, pelas estradas. continuamos a ter uma imagem que não se coaduna com o tempo que já passou", continuou o autarca, também presidente da Câmara de Porto de Mós.

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O presidente da CIM salientou que permanecem populações, "sobretudo do norte da região, sem acesso a comunicações, televisão e já passaram seis meses".

Para Jorge Vala, este é "um tempo ainda de recuperação, mas que se exigia que fosse recuperação associada à resiliência".

"Ainda não a temos [resiliência]. Temos percebido que há preocupação das empresas em recuperar, mas esta recuperação, para além de lenta ou diferente da necessidade, sobretudo do tecido empresarial, é, no nosso entender, ainda bastante provisória", declarou.

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O autarca referiu ainda que há "muitas vias de comunicação interrompidas", lamentando que em seis meses não tenha havido "uma resposta, sobretudo aos maiores problemas", dando exemplo da Estrada Nacional 243, no concelho de Porto de Mós.

Jorge Vala destacou também "o comportamento exemplar do Ministério do Ambiente na resposta aos grandes problemas que têm existido, antecipando a transferência de valores para os municípios", para estes poderem "garantir a resposta às necessidades de base que decorreram da tempestade".

"(...) Tenho a forte convicção de que o exemplo do Ministério do Ambiente continuará a ser reportado para outros", acrescentou.

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Em 21 de julho, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) disse à agência Lusa que cerca de 1.600 clientes, a maioria da região de Leiria, ainda não tinham serviços fixos de comunicações.

"Segundo os dados comunicados recentemente pelos operadores, existem cerca de 1.600 acessos fixos ainda afetados na sequência da depressão Kristin (menos de 01% dos acessos fixos inicialmente afetados), sendo a região de Leiria que concentra o maior número destas situações", revelou a entidade responsável pela regulação do setor das comunicações e das atividades espaciais.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, em 28 de janeiro, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.

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Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros. 

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