Suspeitas de utilização indevida de helicóptero do INEM

IGAS abriu um inquérito sobre a alegada utilização indevida do aparelho por parte da médica Raquel Ramos.

22 de dezembro de 2018 às 09:05
Helicóptero do INEM Foto: Carlos Barroso
helicóptero, inem Foto: Manuel Vitoriano
Helicóptero do INEM Foto: Bruno Colaço
Helicóptero do INEM Foto: Júlio Pacheco

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A Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito sobre a alegada utilização indevida de um dos helicópteros do INEM por parte da médica Raquel Ramos, diretora do departamento de emergência Médica do instituto. Ao que o CM apurou, estão em causa factos passados em abril e dezembro de 2017 e todos relacionados com a falta de disponibilidade das equipas médicas para assegurar os turnos.

A 13 de abril do ano passado, o héli estava estacionado em Salemas, Loures. A médica que estava escalada era Raquel Ramos, mas como esta não estava junto da equipa que estava de turno, mas sim em Lisboa, quando o transporte foi acionado para ir buscar uma doente a Évora, o héli fez um desvio e foi ainda aterrar na Academia Militar, em Lisboa, para apanhar a médica que devia acompanhar a equipa e só depois seguiu para Évora.

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A 14 de abril, era a mesma médica que estava de serviço e o héli foi acionado para ir buscar um doente às Caldas da Rainha. O procedimento foi o mesmo, mas ocorreu um erro. A equipa que estava com o helicóptero em Salemas achou que a médica estava junto à academia militar, porque esta não estava na base apesar de estar de serviço. O héli foi à academia militar, mas teve de voltar a Salemas, porque afinal a médica estava em Loures. E só depois foi para as Caldas da Rainha.

O terceiro episódio teve lugar em dezembro de 2017. A partir de maio, o héli deixou de estar em Salemas, Loures, e passou em definitivo a estar estacionado em Évora. Nos dias 24 e 25 de dezembro  como não havia médicos para assegurar os turnos, mais uma vez, o aparelho foi deslocado para Lisboa porque os médicos que iam assegurar os turnos estavam na capital, em vez dos médicos se deslocarem e irem para a base de Évora assegurar os turnos, um dos médicos de serviço era novamente Raquel Ramos.

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O que a IGAS agora quer perceber é porque razão, nos dois primeiros episódios, a médica não estava junto à equipa que estava com o héli, como alegadamente é norma,  e se o motivo justifica o valor gasto com a deslocação do héli entre Salemas e a academia militar, em Lisboa, e a demora a chegar aos doentes. E no segundo caso, o de dezembro, também qual a razão para o héli se deslocar para onde estão os médicos em vez dos profissionais de deslocarem para a base onde estava o aparelho.

Sabe o CM que a IGAS já ouviu vários testemunhos. Ao CM, fonte do INEM respondeu que apesar de considerar que estas "situações foram absolutamente transparentes e que vieram permitir salvaguardar o superior interesse público" o próprio instituto solicitou a intervenção da IGAS.

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