Trabalhadores protestam hoje em Lisboa e no Porto contra pacote laboral

Secretário-geral da CGTP disse esperar que "milhares de trabalhadores" saiam à rua para continuar "o caminho de afirmação e combatividade".

28 de fevereiro de 2026 às 07:12
Manifestantes da CGTP marcham em Lisboa contra o pacote laboral Foto: António Pedro Santos/Lusa_EPA
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A CGTP espera que milhares de trabalhadores se manifestem este sábado em Lisboa e no Porto para reiterar a exigência de retirada do pacote laboral.

Sob o mote lema "Abaixo o pacote laboral", a manifestação convocada pela central sindical liderada por Tiago Oliveira vai realizar-se em dois pontos do país.

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No Porto, a concentração está prevista para as 10h30, começando na Praça da República e terminando na Avenida dos Aliados, enquanto em Lisboa está marcada para as 14h30, a começar no Cais do Sodré e terminando no Rossio.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral da CGTP disse esperar que "milhares de trabalhadores" saiam à rua para continuar "o caminho de afirmação e combatividade" contra o anteprojeto do Governo de revisão da legislação laboral e que "o passado demonstra que, perante todos os ataques e os atropelos foi a luta dos trabalhadores" que permitiu o país avançar.

Para assegurar a participação dos trabalhadores que trabalham ao fim de semana foram emitidos vários pré-avisos de greve, nomeadamente nos setores do comércio.

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"Depois há um conjunto de alargado de setores que também emitiram pré-avisos de greve direcionados para empresas, para locais de trabalho, que vão permitir a participação dos trabalhadores", frisou Tiago Oliveira sem especificar os setores em causa.

O líder da CGTP reiterou a "exigência de retirada do pacote laboral" e voltou a criticar a forma como o processo negocial tem sido conduzido pelo Governo, nomeadamente pelo facto de a central sindical não ter sido convidada para as reuniões bilaterais e técnicas que têm existido.

O anteprojeto de reforma, chamado "Trabalho XXI", foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no parlamento, ainda que não se comprometa com uma data.

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As alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um 'não' das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores. A oposição levou a CGTP e a UGT a avançarem, em conjunto, para uma greve geral, realizada em 11 de dezembro de 2025.

As confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.

Perante as críticas da CGTP e da UGT, o executivo entregou à UGT uma nova proposta com algumas cedências, mas reiterou que não está disponível para retirar toda a iniciativa, nem para deixar cair as traves mestras das alterações anunciadas.

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A UGT fez chegar uma contraproposta ao Governo em 04 de fevereiro e sinalizou que tem linhas vermelhas em matérias como a da contratação a termo ou o 'outsourcing', cujas medidas considera"inaceitáveis".

Também a CIP - Confederação Empresarial de Portugal entregou na semana passada uma nova proposta com alterações à lei laboral, na sequência da contraproposta apresentada pela UGT.

Na segunda-feira, após se ter reunido com a UGT e as quatro confederações empresariais, a ministra do Trabalho indicou que, nas reuniões técnicas, "já houve algumas áreas de conciliação", nomeadamente em matéria de parentalidade, inteligência artificial e novas tecnologias. "Mas é um consenso ao nível técnico" apenas, acrescentou Rosário Palma Ramalho, escusando-se a detalhar as medidas concretas.

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Está prevista uma reunião plenária de Concertação Social para a próxima terça-feira.

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