Condições meteorológicas e agitação marítima vão agravar-se devido à depressão Ingrid.
A Câmara das Caldas da Rainha apelou esta sexta-feira à população que se mantenha longe da linha da costa, na Foz do Arelho, onde a agitação marítima pode pôr em causa a segurança de pessoas e do emissário submarino.
O agravamento das condições meteorológicas e de agitação marítima associadas à passagem da depressão Ingrid levaram o município das Caldas da Rainha a prever para os próximos dias "uma intensificação do risco para pessoas e bens" e a apelar à população "para que se mantenha longe da linha de costa, em especial da Praia da Foz do Arelho", devido à agitação marítima e à subida do nível do mar.
Num comunicado à população, a autarquia, do distrito de Leiria, disse encarar "com bastante apreensão a situação atual" e ter solicitado à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) que deslocasse ao local "uma equipa para avaliar e acompanhar" os impactos na praia onde "a abertura da Lagoa de Óbidos ao mar está localizada a escassos metros dos campos desportivos e da Avenida do Mar".
À agência Lusa, o presidente da câmara, Vítor Marques (independente), afirmou que os serviços da autarquia "já desmontaram os campos e, provavelmente, irão tirar dois contentores - de primeiros socorros e biblioteca - para salvaguardar qualquer prejuízo que possa haver".
Outras das preocupações prende-se com um emissário submarino [que liga uma Estação de Tratamento de Águas Residuais ao alto- mar], "que passa muito perto da Avenida do Mar" e que o autarca teme que "o mar vá escavando a areia deixando-o a descoberto".
"A nossa preocupação é a salvaguarda das pessoas e, portanto, o alerta para as pessoas não usarem aqueles espaços", mas, acrescentou o presidente, " ao mesmo tempo, também a preocupação em relação ao emissário", considerada a situação "mais complexa" face ao período de rutura na conduta, causando "algum risco de contaminação, apesar de se tratar de saneamento tratado".
No comunicado, a câmara acrescenta ter feito diligências junto da APA), da Capitania do Porto de Peniche, da Águas do Tejo Atlântico, S.A e do município de Óbidos (que também confina com a Lagoa), no sentido de acompanharem a situação.
"A APA enviou uma equipa ao terreno para uma avaliação mais detalhada da situação" que, segundo a autarquia, "está a ser acompanhada em permanência por esta entidade, bem como pela Junta de Freguesia da Foz do Arelho, pelo Serviço Municipal de Proteção Civil das Caldas da Rainha e pelos técnicos da Águas do Tejo Atlântico".
A "aberta", ligação da Lagoa de Óbidos ao mar, deslocou-se este ano para norte, reduzindo o areal da Foz do Arelho, num processo dinâmico que não depende de intervenção humana.
A abertura ao mar tende a fechar-se naturalmente devido à deposição de sedimentos, comprometendo a renovação da água, a qualidade dos habitats, a conservação das espécies e as atividades económicas dependentes do bom estado ecológico do ecossistema, como a pesca, a mariscagem e o turismo.
Por esse motivo, torna-se frequentemente necessária intervenção mecânica para garantir e manter essa comunicação com o mar, intervenção para a qual as duas autarquias ribeirinhas das Caldas da Rainha e de Óbidos pedem regularmente a intervenção da APA.
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