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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Gripe revela caos dos hospitais

Houve doentes que esperaram 20 horas para serem atendidos.

21 de janeiro de 2018 às 01:30
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urgenciasamadora

A gripe veio revelar, mais uma vez, as fragilidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O cenário repete-se todos os anos, independentemente de os vírus da gripe em circulação atacarem com maior ou menor intensidade. Este ano, apesar de as autoridades de Saúde afirmarem que a epidemia foi menos agressiva, e de o ministro da tutela, Adalberto Campos Fernandes, ter vindo negar, no início do mês, que existisse caos nas Urgências, o facto é que houve doentes que esperaram 20 horas para ser atendidos e outros tantos que ficaram (e continuam) internados em macas, amontoados em corredores ou salas improvisadas.

O caos foi denunciado por doentes e profissionais de Saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros.

Para Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, "as fragilidades do SNS continuam a agravar-se". Segundo o responsável, " não chegando a verificar-se um período mais crítico, expõe-se assim o subfinanciamento do SNS, que resulta em condições de trabalho depauperadas, uma falta inaceitável de capital humano, equipamentos, dispositivos e materiais que urge resolver ".

À questão se estes episódios serviram para mostrar que os hospitais e os profissionais de Saúde do SNS estão sob pressão, o bastonário não tem dúvidas: "Sim."

Também para o vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros, Luís Barreira, os últimos dias "revelaram o desinvestimento gritante no SNS, que tem uma carência estrutural que depois se nota na assistência aos doentes e no desgaste dos profissionais".

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Profissionais exaustos com caos nos hospitais

"Em 2016, os enfermeiros fizeram 2,18 milhões de horas extra e isto levava a que, em 2017, fosse necessário contratar pelo menos mil enfermeiros só para fazer estas horas", explicou o enfermeiro, acrescentado que " se com uma epidemia mais leve foi o que foi, imaginemos o que seria se atingisse picos mais elevados". Segundo este profissional, um em cada cinco enfermeiros está em exaustão com sintomas de stress. "O senhor ministro tenta camuflar a realidade", diz.

Pormenores

Capacidade de resposta

O bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, defende que o SNS tem de ter capacidade de resposta efetiva às necessidades da população. E, no caso da gripe, além da ativação atempada dos planos de contingência, é urgente uma "estratégia de integração" de todos os cuidados de Saúde e reforço do capital humano.

Hospitais reagiram

Para o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, nesta época gripal os hospitais estiveram mais bem preparados, embora ainda se esteja aquém do que é necessário para os doentes.

Maior aposta no apoio aos idosos  

Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, defende uma aposta no apoio domiciliário aos idosos e nos lares para evitar idas às Urgências.

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