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Sociedade de obstetrícia reconhece excesso de cesarianas nos hospitais privados

Sociedade aponta como causa a "crise no país em termos de urgências de obstetrícia". Serviço Nacional de Saúde rejeita que exista relação direta.

05 de maio de 2026 às 17:59

A presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF) afirmou esta terça-feira que o setor privado realiza cesarianas em excesso, reconhecendo ser "muito difícil" de entender essa discrepância em relação aos hospitais públicos.

"Quando me perguntam diretamente se existe excesso de cesarianas a nível privado, tenho de responder que sim", referiu Luísa Pinto, que foi ouvida esta terça-feira na comissão parlamentar de Saúde, a pedido do PS, sobre o aumento do número destes procedimentos em Portugal.

Segundo os últimos dados, as cesarianas nos hospitais públicos aumentaram em 2025, representando já quase 33% do total de partos feitos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas cerca de metade da taxa regista-se nas unidades de saúde dos setores privado e social.

Luísa Pinto admitiu que essa diferença entre os setores público e privado "é muito difícil de entender" e alertou que o "excesso de cesarianas" que se verifica nos hospitais privados "tem de ser olhado com cautela".

"Como temos resultados tão dispares entre o SNS e o sistema de saúde privado é óbvio que nos deve fazer a todos refletir", salientou a presidente da sociedade, ao realçar que uma cesariana é "bastante mais bem paga" do que um parto vaginal, o que deveria ser "claramente regulamentado e questionado".

Além disso, a realização de uma cesariana é mais vantajosa em termos de tempo para a unidade de saúde, referiu Luísa Pinto, alegando que "faz-se uma cesariana numa hora", enquanto acompanhar um trabalho de parto pode mesmo durar entre 24 e 48 horas.

Aos deputados, a presidente da SPOMMF admitiu ainda que a "crise no país em termos de urgências de obstetrícia" terá influência na taxa de cesarianas registadas em Portugal.

"Perante situações em que há encerramentos, transferências de grávidas, em que há hospitais com equipas deficitárias, muitas a viver à custa de prestadores de serviços, e equipas muitas jovens, não podemos dizer, de forma nenhuma, que isso não possa ter influência na taxa de cesarianas", afirmou.

Luísa Pinto reconheceu também que Portugal está muito distante dos melhores números dos países do norte da Europa nesta matéria, que têm taxas de 16% e 17% e, sobretudo, "muito menos peso do setor privado".

A especialista defendeu ainda a necessidade de se avançar para um repositório centralizado de dados a nível nacional, alegando que os dados atuais provenientes de diversas fontes dificultam a compreensão sobre a origem do aumento de cesarianas no país.

"Na realidade, não sabemos exatamente o que está na causa destes aumentos. Provavelmente, até poderão ser motivos diferentes conforme as várias regiões do país", adiantou.

No final de abril, a diretora-geral da Saúde reconheceu que a falta de um sistema integrado de dados sobre cuidados obstétricos nos setores público e privado impede as autoridades de conhecerem o panorama completo do aumento das taxas de cesarianas.

Rita Sá Machado, que também foi ouvida na comissão parlamentar de Saúde sobre o aumento das taxas de cesarianas, que em 2025 bateram o recorde no SNS, disse que a maior parte dos dados que a Direção-Geral da Saúde (DGS) tem provêm de "recolha manual".

Já o diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, rejeitou que exista uma relação direta entre a falta de recursos públicos em obstetrícia e o aumento de cesarianas, sublinhando que nos hospitais com maiores problemas a taxa até diminuiu face a 2023.

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