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Correio da Manhã

Sociedade
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2 milhões de consultas a menos devido à crise

Urgências hospitalares com uma redução.
Cristina Serra 3 de Abril de 2015 às 08:13
Utentes deixam de ir ao médico por falta de dinheiro FOTO: D.R.

A falta de dinheiro dos utentes levou a uma redução de 2,2 milhões de consultas em centros de saúde desde 2011, ano do início da crise económica que levou a entrada da troika em Portugal. Em 2014, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde, foram realizadas 20,5 milhões de consultas médicas com a presença do doente, menos 2,2 milhões do que em 2011, quando foram realizadas 22,7 milhões. As Urgências hospitalares também registaram uma quebra: menos cerca de 248 mil atendimentos em 2014 do que em 2011.

A relação entre a diminuição da procura e as dificuldades económicas é feita pelos médicos. "O impacto da crise na Saúde é real. Os mecanismos de resposta à crise prejudicaram o acesso aos cuidados de saúde, apesar do discurso oficial ser diferente", afirmou ao CM Carlos Cortes, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

No total das consultas (nos hospitais e centros de saúde) houve uma diminuição de 1,2 milhões em 2014 em relação a 2011.

Em 2014 realizaram-se oito milhões de consultas médicas sem a presença do doente nos centros de saúde, um acréscimo de 353 mil. "O aumento das taxas moderadoras, das despesas de deslocação, do medicamentos e meios de diagnóstico representam custos e as pessoas não têm condições para pagar", acrescenta.

Segundo o responsável, o primeiro impacto da crise é no rendimento das famílias e nas medidas tomadas na Saúde: "Os doentes ficam em casa e não vão às consultas." Em 2014, os hospitais públicos fizeram 237 313 cirurgias convencionais (com internamento), menos 14 800 do que em 2011 (252 113). 

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