Além de pessoas com deficiência, estiveram também os seus cuidadores, que são, na maior parte das vezes, os pais e as mães.
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Mais de 100 pessoas marcharam esta quarta-feira, em Lisboa, por direitos e igualdade para as pessoas com deficiência, exigindo a garantia de assistência pessoal para todos e defendendo que os lares não são solução.
Esta foi a 9.ª marcha promovida pela Comissão Organizadora da Marcha Pela Vida Independente, que teve início pelas 15:00, junto ao Teatro Tivoli, na Avenida da Liberdade, e terminou cerca de uma hora e meia depois no Rossio, com vários participantes a darem o seu testemunho.
Diana Santos, presidente do Centro de Vida Independente, explicou à agência Lusa que esta marcha acontece habitualmente a 05 de maio, dia em que se assinala o Dia Europeu da Vida Independente, mas este ano decidiram descer a Avenida da Liberdade no Dia de Portugal "por uma questão simbólica".
"Ainda não nos sentimos portuguesas e portugueses de primeira com o usufruto completo do nosso país", salientou Diana Santos, de 41 anos, explicando que, neste momento, são pouco mais de mil as pessoas que têm acesso ao serviço de vida independente com assistência pessoal em Portugal, financiado pela Segurança Social.
"Temos muito mais [pessoas] em lista de espera e a única coisa que o Governo promete são mais 70 vagas por ano", disse ainda a presidente do Centro de Vida Independente.
Por este motivo, pela garantia de assistência pessoal para todas as pessoas com deficiência, foram mais de 100 os manifestantes que gritaram esta quarta-feira "acessibilidade é um direito, sem ela nada feito".
Entre o Teatro Tivoli e o Rossio, ouviu-se ainda que "lares são prisões" e, já no final do protesto, Eduardo Jorge, de 64 anos, tetraplégico desde 1991, ano em que sofreu um acidente, explicou à Lusa que viveu quatro anos num lar e que esses foram os piores anos da sua vida.
"O lar não é solução. Nós queremos é os mesmos direitos que as outras pessoas e a assistência pessoal permite-nos isso. Queremos viver como toda a gente, onde eu quiser, como eu quiser e da maneira que eu quiser e este Governo não está a permitir", explicou Eduardo Jorge, que é assistente social numa Instituição Particular de Solidariedade Social.
Este homem de 64 anos define a assistência pessoal como os seus braços e as suas pernas: "Levam-me todos os dias para o meu trabalho, trazem-me do meu trabalho, vou ao cinema. No fundo, permite-me viver com dignidade".
A assistência pessoal, além do benefício que tem para as pessoas com deficiência, tem impacto direto nas famílias que são, muitas vezes, a primeira linha de apoio.
Esta quarta-feira, além de pessoas com deficiência, estiveram também os seus cuidadores, que são, na maior parte das vezes, os pais e as mães.
Margarida Leal, mãe da Maria Inês, uma jovem com 19 anos e com paralisia cerebral, esteve esta quarta-feira na 9.ª Marcha pela Vida Independente, precisamente porque ainda existe "uma grande invisibilidade sobre estas pessoas".
"A minha filha tem 19 anos, já não está na escola e eu fui à procura de um sítio para ela ficar durante o dia para eu poder trabalhar. Neste momento, aquilo que me ofereceram num lar, num apoio de dia, eu teria que pagar 750 euros. Portanto, para um ordenado de um funcionário público, que é mil e pouco, é completamente impossível", explicou Margarida Leal.
Perante a falta de alternativas, os pais da Maria Inês pagam a uma pessoa que cuida em permanência da jovem, para que Margarida possa continuar a trabalhar.
"Acho que a questão é a vida independente deles e são os direitos também de carreira de mães, pais, irmãos, cuidadores que também precisam de assegurar o seu futuro", sublinhou Margarida Leal.
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