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Água empurra inertes da autoestrada do Marão

Duas casas em Ansiães estão em "perigo iminente".

04 de janeiro de 2016 às 16:19

Duas casas de Ansiães, Amarante, estão em "perigo iminente" devido ao deslocamento de terra e areia das obras da Autoestrada do Marão, alertou esta segunda-feira o presidente da Junta, em declarações à Lusa.

António Brandão afirmou que os materiais, sobretudo inertes, têm sido arrastados pela água que escorre de um talude com mais de 100 metros de altura, no lugar de Casal, junto à autoestrada A4, em plena serra do Marão.

Uma das casas, frisou o autarca, está praticamente encostada a um muro que já desabou parcialmente. Parte do terreno onde se encontra implantada a habitação também foi levada pela água, acentuou. Um segundo edifício, onde funciona um café, está a poucos metros do ponto por onde passa, "a céu aberto", o material arrastado pela água.

"Se nada for feito rapidamente, outras 20 casas, situadas a cerca de 400 metros, poderão ficar em perigo", avisou António Brandão.

Chuva intensa nas últimas 48 horas

A situação foi potenciada pela chuva intensa que tem caído na região, sobretudo nas últimas 48 horas.

À Lusa, o autarca acrescentou que duas ruas (Olival e Casal) foram encerradas à circulação, devido à acumulação de pedras, terra e areia.

António Brandão disse que a situação não é nova e ocorre sempre que chove com mais intensidade.

"Já comunicámos o caso várias vezes à Infraestruturas de Portugal, mas nada fizeram até agora", lamentou-se, enquanto acusava os responsáveis da obra de "negligência" face à situação.

"Queremos garantias, por escrito, de que vai ser resolvido o problema", exclamou.

Providência cautelar

A autarquia de Ansiães vai contratualizar "os serviços de uma sociedade de advogados especialistas na matéria para interporem de imediato uma providência cautelar contra os responsáveis pela obra", adiantou ainda à Lusa.

A pedido da Junta de Freguesia, uma equipa da Proteção Civil de Amarante, elementos da GNR e um técnico responsável da Infraestruturas de Portugal estiveram esta segunda-feira no local.

À Lusa, o comandante da proteção civil concelhia, Hélder Ferreira, afirmou que, de acordo com informação de hoje da empresa responsável pela obra, a segurança "está acautelada" e o caso está a ser acompanhada de perto pelo empreiteiro.

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