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Correio da Manhã

Sociedade
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Alunos salvam colega de morrer afogado

Os amigos dele foram uns heróis. Sem eles o Bruno não estaria vivo." É visivelmente emocionada que Ana Maria, mãe do jovem estudante de 17 anos que não sabe nadar e que ontem de manhã foi arrastado por uma onda, na praia da Baía, em Espinho, fala da atitude corajosa dos colegas de Bruno Ricardo Costa, que o salvaram de morrer afogado durante uma aula no exterior.
30 de Abril de 2010 às 00:30
Colegas de turma de Bruno acabaram por não ter aulas após o acidente, ocorrido na praia da Baía
Colegas de turma de Bruno acabaram por não ter aulas após o acidente, ocorrido na praia da Baía FOTO: Salomé Filipe

Está internado nos Cuidados Intensivos do hospital de Gaia, mas o seu estado é estável. O grupo de estudantes estava acompanhado de duas professoras. A directora da Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho, já abriu um inquérito.

Bruno, aluno do 10º ano do curso profissional de Animação, estava com os restantes colegas de turma no areal, no âmbito de uma "saída de campo" da disciplina de Área de Expressões. Eram 09h40. O objectivo era gravar o som do mar. Mas Bruno e os amigos não resistiram à manhã solarenga. "Já se sabe como são os garotos, estão na praia e querem ir molhar os pés", conta Carina Costa, de 23 anos, irmã do jovem estudante, residente em Nogueira da Regedoura, Santa Maria da Feira. "O Bruno deve ter ido um pouco mais para a frente e, como não sabe nadar, ia-se afogando", sublinha a jovem, visivelmente abalada.

Momentos de pânico foram vividos na praia, e chegou-se a temer que o jovem não fosse resgatado com vida. Valeu a ajuda pronta de três amigos, alguns dos quais bombeiros voluntários, que se atiraram à agua e conseguiram trazer o jovem para terra. "Assim é que se vê que ainda há verdadeiros amigos. Não tenho palavras para agradecer", sublinha a mãe de Bruno. O jovem entrou em hipotermia e está internado no Hospital Santos Silva, em Gaia. "Os médicos dizem que a temperatura do corpo já voltou ao normal, mas deram-lhe medicação para dormir. Está entubado porque engoliu muita água, mas está estável", assegura Carina.

"Foi com o Bruno, mas podia ter acontecido com outra pessoa. Ninguém teve culpa", remata a irmã.

 

PORMENORES

ASSISTIDO 

Trazido para o areal pelos amigos, Bruno foi assistido pelos Voluntários de Espinho durante meia hora. "Os bombeiros pediram-nos para aquecermos toalhas para ele", contou Ivanoel Lima, funcionária de um restaurante na praia.

SEM AULAS 

Os amigos e colegas de turma de Bruno, alunos do 10.º ano, não tiveram aulas ontem. "Como estavam muito abalados com o que viram, mandei--os a todos para casa e não tiveram mais aulas", explicou a directora da Secundária de Espinho.

INQUÉRITO

Após o incidente, foi aberto de imediato um inquérito pela directora da Escola, Maria Ricardo, com vista a apurar o que sucedeu na praia da Baía. As conclusões serão entregues à Direcção Regional de Educação do Norte.

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