page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Aprovadas correções aos vetos de Marcelo Rebelo de Sousa sobre procriação medicamente assistida

Aprovação ocorre após reparos do Tribunal Constitucional.

22 de outubro de 2021 às 13:37

O parlamento aprovou esta sexta-feira um novo decreto sobre a inseminação pós-morte, com propostas de alteração do PS, BE, PCP, PAN e PEV para responder às dúvidas levantadas pelo Presidente da República no veto de abril deste ano.

O diploma em causa, que prevê o recurso a técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) através da inseminação com sémen após a morte do dador, nos casos de projetos parentais expressamente consentidos, foi reapreciado pelos deputados na quarta-feira na sequência do veto de Marcelo Rebelo de Sousa.

Na votação de hoje, o novo decreto foi aprovado com votos contra do PSD, CDS-PP e Chega, a abstenção de cinco deputados do PS e a favor dos restantes deputados e bancadas parlamentares.

Todas as alterações avocadas foram aprovadas em conjunto e com igual votação.

Em 22 de abril, o chefe de Estado vetou o decreto do parlamento, que teve origem numa Iniciativa Legislativa de Cidadãos, que reuniu mais de 20 mil assinaturas, por considerar que que suscitava dúvidas no plano do direito sucessório e questionando a sua aplicação retroativa.

Na mensagem que dirigiu na altura à Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa pediu aos deputados que reconsiderassem as disposições nestes domínios "designadamente à luz do princípio da segurança jurídica e no contexto sistemático das demais normas relevantes do ordenamento jurídico nacional em matéria sucessória".

O diploma foi aprovado em 25 de março com votos a favor de PS, BE, PCP, PAN, PEV e IL e das deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues, votos contra de PSD, CDS-PP e Chega e a abstenção também de cinco deputados socialistas.

Segundo o Presidente da República, "a questão da inseminação 'post mortem', suscitava, no entanto, questões no plano do direito sucessório que o decreto não previa, uma vez que não é acompanhada da revisão, nem assegurada a sua articulação, com as disposições aplicáveis em sede do Código Civil, o que pode gerar incerteza jurídica, indesejável em matéria tão sensível".

Por outro lado, o chefe de Estado assinalou que "o decreto estabelece uma norma transitória, que determina que a possibilidade de inseminação 'post mortem' com sémen do marido ou do unido de facto é aplicável aos casos em que, antes da entrada em vigor da lei, se verificou a existência de um projeto parental claramente consentido e estabelecido".

Para responder a estas questões do Chefe de Estado, PS, BE, PCP, PEV e PAN apresentaram várias propostas de alteração, com o deputado socialista Pedro Delgado Alves a considerar, durante o debate de reapreciação, que resultaram numa "solução equilibrada e que corresponde àquilo que o Presidente da República sublinha como relevante para assegurar a aprovação desta lei".

Posição contrária foi manifestada pelo PSD e CDS-PP, que votaram contra o novo diploma, à semelhança do que aconteceu aquando da votação do decreto inicial que foi vetado.

Para a deputada Sandra Pereira, do PSD, as alterações hoje votadas resultaram de um "consenso em cima do joelho" e "não respondem às interrogações" de Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto o parlamentar Miguel Arrobas, do CDS-PP, considerou que, antes de mais, há que acautelar o "interesse superior da criança que vier a nascer", uma posição que disse ser fundamentada em pareceres científicos, técnicos e jurídicos.

De acordo com a Constituição, na sequência de um veto do Presidente da República, a Assembleia da República pode alterar o diploma, o que aconteceu hoje, ou confirmá-lo, por maioria absoluta dos deputados em efetividade de funções, obrigando nesse caso o chefe de Estado a promulgá-lo.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8