Governo decidiu encerrar as urgências de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Vila Franca de Xira, que serve também os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente.
Autarcas de quatro municípios abrangidos pela concentração de urgências obstétricas no Hospital de Loures entregaram esta quinta-feira, no parlamento, cerca de 12 mil assinaturas de uma petição pela "manutenção e melhoria" daquela urgência do Hospital de Vila Franca de Xira.
"É uma iniciativa que os autarcas tomaram aqui há cerca de quatro semanas, foi possível reunir estas 12 mil assinaturas", entregues "ao parlamento, na expectativa também de poder voltar cá mais tarde para discutir com os senhores deputados esta matéria", afirmou o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira (PS).
O autarca falava à Lusa pouco antes da entrega da petição, ao vice-presidente da Assembleia da República Marcos Perestrello (PS), acompanhado dos presidentes de câmara de Arruda dos Vinhos, Carlos Manuel Alves (PS), e de Alenquer, João Nicolau (PS), e da vereadora da Saúde na Câmara da Azambuja, Ana Coelho (PS).
"Entretanto, estamos também a trabalhar com os presidentes de câmara da Península de Setúbal, que vão em breve ter este mesmíssimo problema porque o hospital do Barreiro vai ver também as suas urgências encerradas", disse Fernando Paulo Ferreira, acrescentando que vão pedir "uma audiência com todos os grupos parlamentares na Assembleia da República" para expor também "o sentimento" das populações sobre a decisão governamental.
"Fizemos uma reunião a semana passada, os autarcas da margem norte e da margem sul, e combinámos juntos fazer esses pedidos de audiência aos grupos parlamentares e é o que acontecerá para a semana", adiantou.
O Governo decidiu encerrar as urgências de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Vila Franca de Xira, que serve também os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente, no dia 16, passando os utentes a ser encaminhados para o Hospital Beatriz Ângelo, no concelho de Loures.
Na petição "Pela Manutenção e Melhoria da Urgência Obstétrica do Hospital de Vila Franca de Xira", os peticionários solicitam que "seja reconhecida a extrema necessidade de manter em funcionamento" aquela urgência obstétrica e "seja imediatamente suspensa qualquer decisão de encerramento ou transferência deste serviço".
Os peticionários defendem ainda que "sejam adotadas medidas urgentes para reforçar a capacidade do serviço, nomeadamente ao nível dos recursos humanos, evitando a sua degradação e garantindo a sua plena operacionalidade", e que seja apresentado "um plano de melhoria sustentado, que assegure a continuidade, qualidade e segurança dos cuidados materno infantis no Hospital de Vila Franca de Xira".
O autarca explicou que, na sequência de reuniões com o presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo e do hospital, está a ser feito "um acompanhamento mais próximo de todas as grávidas da área destes cinco concelhos, na expectativa também de programar os partos sem ser em situação de urgência".
"Para quê? Para garantir o número de partos suficiente no Hospital de Vila Franca de Xira, uma vez que todos queremos combater o eventual objetivo do Governo de encerramento da maternidade", salientou Fernando Paulo Ferreira, considerando que autarcas e profissionais de saúde "estão todos muito empenhados" em "manter um número de partos suficiente" para continuar "com a maternidade a funcionar naturalmente".
Em relação ao balanço das urgências concentradas no hospital de Loures, o autarca ribatejano disse que "ainda é cedo para perceber" o resultado do funcionamento.
"De qualquer das formas, o nosso receio é que as urgências obstétricas do Hospital Beatriz Ângelo não comportem todas as necessidades das grávidas destes cinco concelhos abrangidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira e que, portanto, se crie aqui uma situação de maior desproteção relativamente aos nascimentos nestes cinco concelhos", admitiu.
No caso da margem sul, os autarcas dos municípios de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal estão contra o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do hospital do Barreiro, no âmbito da entrada em funcionamento da nova urgência regional, com dois polos no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, prevista abrir em 15 de abril.
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