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Bacias do Tejo, Mondego, Vouga e Guadiana são as que mais preocupam

Presidente da APA referiu que têm usado barragens para fazer descargas controladas e evitar cheias descontroladas.

07 de fevereiro de 2026 às 15:56

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revelou este sábado que as bacias hidrográficas do Tejo, Mondego, Vouga e Guadiana são as que, neste momento, mais preocupam, depois da chegada de mais uma tempestade no país.

"Há áreas que nos preocupam mais, nomeadamente o Tejo, o Mondego, o Vouga e o Guadiana, que estamos constantemente a monitorizar", disse José Pimenta Machado aos jornalistas, depois de uma visita a Amarante, no distrito do Porto.

Já a Norte, designadamente no Douro, a situação está controlada, contudo as regiões do Porto, Vila Nova de Gaia, Régua, Amarante e Chaves requerem atenção, assinalou.

A título de exemplo, Pimenta Machado explicou que na Régua o rio andou a 20 centímetros de saltar fora, mas correu bem.

Em Amarante, o rio saiu ligeiramente das margens, mas não causou danos, assim como em Miragaia, no Porto, acrescentou.

O presidente da APA referiu que a estratégia tem sido usar as barragens para fazer descargas controladas e evitar cheias descontroladas.

"Nós retemos a água nas barragens no pico da precipitação para evitar as cheias a jusante", apontou.

Mas, sempre que chega uma nova intempérie, a capacidade de gestão vai diminuindo, frisou.

"Temos sempre muito pouco tempo para nos prepararmos para a intempérie seguinte, estando já uma prevista para terça-feira", vincou.

Dizendo que Portugal está a viver um momento "absolutamente excecional", com um "comboio de tempestades", Pimenta Machado ressalvou que os solos estão completamente saturados e não retêm a água.

Para minimizar as cheias, o presidente da APA adiantou que Portugal está em constante articulação com a vizinha Espanha.

Desde dia 01 de janeiro que foram já libertados das barragens 750 hectómetros cúbicos de água, o que equivale à água que todos os portugueses consomem num ano, contou.

"Esta é a dimensão do volume de água que nós libertámos para encaixar a água dos picos de precipitação e evitar as cheias das albufeiras, é o trabalho que temos de fazer", ressalvou.

Pimenta Machado destacou que a situação só vai melhorar a partir de dia 15 de fevereiro, por isso, ainda há uma semana de preocupação pela frente.

Manifestando solidariedade às pessoas das regiões afetadas pelas cheias, o presidente da APA pediu que estejam atentas aos alertas da Proteção Civil.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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