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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Calendário está definido, mas Fenprof quer negociar organização do próximo ano letivo

Fenprof entende que calendários escolares estão sujeitos "a lógicas que nada têm a ver com os ritmos de aprendizagem dos alunos".

20 de junho de 2025 às 14:25

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) vai solicitar ao Governo negociações sobre a organização do próximo ano letivo, cujo calendário escolar ficou definido há um ano, assim como a calendarização dos dois anos letivos seguintes.

"A Fenprof vai enviar, hoje, ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) um ofício a solicitar a abertura de um processo negocial sobre a organização do próximo ano letivo. Esta exigência assenta na obrigatoriedade legal da tutela de garantir esse direito das organizações sindicais", escreve a federação em comunicado.

Há um ano, o Governo decidiu, pela primeira vez, aprovar um calendário escolar para um período de quatro anos, entre 2024-2025 e 2027-2028, e de acordo com o despacho, o próximo ano letivo deverá arrancar entre 11 e 15 de setembro.

Apesar de as datas estarem fechadas, a Fenprof quer discutir a organização do próximo ano e deixa críticas à definição de um calendário escolar quadrienal.

O documento, justifica a estrutura sindical, "contém matérias sensíveis para a organização da vida profissional e pessoal dos docentes, nomeadamente os seus horários de trabalho" e "sobrecarrega injustificadamente as crianças mais jovens (...) com um excessivo prolongamento das atividades curriculares".

À semelhança do ano letivo que está agora a chegar ao fim, as aulas só terminam no final do mês de junho para os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo, duas semanas mais tarde do que os restantes anos sem exames nacionais.

No entender da Fenprof, os calendários escolares estão sujeitos "a lógicas que nada têm a ver com os ritmos de aprendizagem dos alunos".

Por outro lado, a federação sublinha que o início do ano letivo querer um planeamento rigoroso e refere que 2025-2026 já começou a ser preparado pelas escolas, mas sob vários constrangimentos, como a falta de professores e o impacto das provas de monitorização das aprendizagens dos 4.º e 6.º anos, que a Fenprof diz terem desorganizado o funcionamento regular das atividades escolares e sobrecarregado docentes e alunos.

Os representantes dos professores argumentam ainda que para o próximo ano transitam problemas antigos, relacionados com horários, trabalho não letivo e excesso de burocracia.

"Por tudo isto, exigir a negociação da organização do ano letivo não é apenas um imperativo legal. É também uma condição essencial para garantir o respeito pela autonomia das escolas, promover melhores condições de ensino e aprendizagem, e assegurar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos educadores e professores", terminam.

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