Deste total, cerca de 3.000 unidades estão na ilha de São Miguel, sendo que há quatro anos existiam apenas cerca de 400 veículos elétricos nos Açores.
Os carros elétricos representam 47% dos veículos em circulação no arquipélago dos Açores, atingindo as seis mil unidades, foi revelado esta sexta-feira no âmbito do projeto europeu EV4EU.
Deste total, cerca de 3.000 unidades estão na ilha de São Miguel, sendo que há quatro anos existiam apenas cerca de 400 veículos elétricos nos Açores.
O coordenador do EV4EU, Hugo Morais, que intervinha em Ponta Delgada, no âmbito da apresentação das conclusões do projeto, considerou que a iniciativa "veio provar que a mobilidade elétrica é possível" e contribui para uma "taxa crescente de energias renováveis".
O projeto "Electric Vehicles Management for carbonneutrality in Europe" (EV4EU) é financiado a 100% pelo programa Horizonte Europa, com um orçamento de 8,9 milhões de euros, tendo decorrido durante quatro anos.
No âmbito deste projeto, 16 parceiros de Portugal, Eslovénia, Dinamarca e Grécia uniram esforços, contando com o apoio de outras seis instituições internacionais, de modo a contribuírem, por via da mobilidade elétrica, para os objetivos da neutralidade carbónica definidos para 2050.
Os objetivos deste projeto são, essencialmente, testar a tecnologia Vehicle-to-Everything (V2X), visando criar condições mais atrativas para o utilizador do veículo elétrico.
Este especialista, professor do Instituto Superior Técnico e investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID), considerou que a compra de um veículo elétrico constitui uma "mudança inevitável", mas a mobilidade elétrica representa "desafios em termos de interoperacionalidade dos sistemas".
Hugo Morais defendeu ainda a necessidade de desenvolver estratégias de "democratização no acesso à mobilidade elétrica".
Para a secretária regional do turismo mobilidade e infraestruturas, Berta Cabral, os Açores assumem-se como um "laboratório vivo para testar tecnologia e conhecimento", destacando que nas transições energética e digital "a geografia não faz qualquer diferença", apesar das "limitações de redes isoladas" na região, constituída por ilhas.
Berta Cabral considerou que a integração dos Açores neste consórcio internacional "demonstra bem a capacidade técnica existente na região", tendo defendido a necessidade de adotar "novos modelos de gestão de energia".
De acordo com Berta Cabral, a mobilidade elétrica "representa uma oportunidade única para acelerar a descarbonização, aumentar a eficiência do sistema elétrico e reforçar a integração das energias renováveis".
A titular da pasta das Infraestruturas destacou que os Açores têm vindo a assumir-se como um "território de referência nas energias renováveis", exemplificando com a energia geotérmica, reduzindo-se assim as emissões de gases.
"Este projeto veio acrescentar valor a este percurso", considerou, para sublinhar que os veículos elétricos "podem deixar de serem consumidores de energia e passarem a desempenhar um papel ativo no próprio sistema elétrico".
No caso específico dos testes que decorreram na ilha de São Miguel, a energia das baterias dos veículos elétricos foi integrada em edifícios nos períodos em que a eletricidade é mais cara, permitindo perceber os impactes desta tecnologia na redução da fatura energética.
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