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Catástrofe climática que devasta o País provoca falhas no sistema de saúde em várias regiões

CPSA explica que efeitos na saúde resultam de danos estruturais, falhas no abastecimento de água e eletricidade e insuficiência de profissionais.

02 de fevereiro de 2026 às 18:02

A catástrofe climática que tem afetado várias regiões do País está a provocar falhas no funcionamento dos serviços de saúde e a agravar os riscos para a saúde pública, alerta o Conselho Português para a Saúde e o Ambiente (CPSA), que considera a resposta das autoridades insuficiente face à dimensão do problema. 

Segundo a CPSA, os impactos vão muito além das vítimas diretas causadas pelas inundações e pelo mau tempo, podendo fazer com que o número real de afetados seja significativamente superior ao que tem sido reportado.

Luís Campos, médico e presidente do CPSA, explica que os efeitos nos serviços de saúde resultam de danos estruturais, falhas no abastecimento de água e eletricidade, dificuldades de acesso às unidades e insuficiência de profissionais, situações que têm conduzido à incapacidade de operar total ou parcial de múltiplos estabelecimentos.

Paralelamente, alerta para o agravamento dos problemas de saúde pública associados às inundações, como o aumento de doenças infeciosas de origem hídrica, problemas cutâneos, contaminações químicas, acidentes ocorridos durante ações de limpeza e reparação de habitações, bem como perturbações da saúde mental. 

Entre as unidades afetadas encontram-se hospitais públicos e privados, centros de saúde, clínicas, unidades de exames complementares de diagnóstico, farmácias, centros de hemodiálise e serviços de cuidados continuados. 

O CPSA aponta vários exemplos registados nos últimos dias, como o encerramento do bloco operatório do Hospital da Figueira da Foz, o adiamento de consultas e cirurgias no Hospital de Leiria por falta de energia, o encerramento temporário do Hospital CUF Leiria, centros de saúde sem água e eletricidade e unidades totalmente destruídas, como o centro de saúde de Alvaiázere. Também vários postos de colheita de análises clínicas e farmácias ficaram inacessíveis ou inoperacionais, afetando o acesso da população a cuidados básicos. 

Face a este cenário, a CPSA defende a necessidade de uma resposta imediata e coordenada, com a identificação rápida das unidades afetadas, a implementação de planos de contingência eficazes e uma comunicação clara à população sobre alterações no acesso aos cuidados de saúde.

O conselho sublinha ainda a importância de medidas urgentes de saneamento e controlo ambiental para reduzir os riscos acrescidos de saúde pública e a monitorização sistemática dos efeitos indiretos das inundações. 

O CPSA lembra que as alterações climáticas estão a evoluir de acordo com os cenários mais pessimistas, com um aumento significativo do número e da intensidade de fenómenos extremos, e considera que muitos dos impactos da atual catástrofe poderiam ter sido mitigados com políticas consistentes de planeamento, prevenção e adaptação.

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