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17 jovens estudantes do Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso, viajaram até Espanha para ver Leão XIV.
Mais de um milhão de pessoas de toda a Espanha e outros países, como Portugal, viajaram nos últimos dias até Madrid para ouvir, este domingo, o Papa "da verdade" e que "não tem medo da paz".
Leão XIV celebrou, este domingo, uma missa no centro de Madrid em que estiveram pelo menos 1,1 milhão de pessoas, segundo as autoridades locais, entre elas Vasco, de 25 anos, um jesuíta português que acompanhou 17 jovens estudantes do Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso, numa viagem de centenas de quilómetros de autocarro até à capital espanhola.
"É um Papa que não tem medo desta paz que é bastante incómoda para muita gente, o que se manifesta de várias maneiras, seja em guerras ou em estarmos fechados nos telemóveis", disse à Lusa, no incío da rua Alcalá, à entrada da praça Cibeles, onde foi instalado o altar da missa deste domingo presidida por Leão XIV.
O grupo de jovens de Santo Tirso que acompanha Vasco, todos do 10.º ano, elogia também a mensagem que tem ouvido de Leão XIV em sucessivas intervenções: Mafalda gosta "da forma como confia nos jovens a mudança no mundo" e Afonso dos "conselhos conretos aos jovens", como os de sábado à noite, numa vigília em Madrid, em que apelou "mais ao silêncio e a falar com Deus" e alertou para "muitas coisas que enganam nas redes sociais", pedindo a todos que procurem sempre a verdade.
É precisamente por ser "um Papa que fala em verdade e da verdade" que Leão XIV cativa também José Guerreiro, um trabalhador da construção civil de Cádiz, no sul de Espanha, que integrou um grupo de 67 pessoas que viajou até Madrid para estar com o líder da Igeja Católica.
"Sem deixar de ser doutrinal, tem esse carisma pastoral de proximidade às pessoas", acrescentou.
Esta é a primeira viagem de um Papa a Espanha em 15 anos e Leão XIV vai ficar uma semana no país, com uma agenda que passa por Madrid, Barcelona e duas ilhas das Canárias e tem uma dimensão social (muito focada na imigração) e política, para além da puramente religiosa.
José Guerreiro pensa que uma viagem desta dimensão se explica por Espanha ser, este domingo "terra de evangelização" depois de "historicamente ter sido evangelizadora".
Um estudo do do instituto público Centro de Investigações Sociológicas (CIS) publicado no mês passado confirma que a percentagem de pessoas que vivem Espanha que se dizem católicas caiu 17,4 pontos desde 2011, ano da anterior visita papal a Madrid, por Bento XVI.
Cerca de 56% da população espanhola assume-se em 2026 como católica, quando era 73,5% em 2011.
Aos que o foram ouvir este domingo na missa no centro de Madrid, que incluiu uma procissão do Corpo de Cristo, o Papa usou a homilía da celebração para lhes dizer que "o Cristo que passa pelas ruas na custódia é o mesmo que se identifica com os pobres, os abatidos, os que estão sozinhos e desamparados".
E deixou "uma encomenda à Espanha de hoje e de amanhã: que a religiosidade de séculos do país não seja um museu do passado", mas "uma escola que ensina a ajoelhar perante Deus e perante o próximo porque ninguém pode ajoelhar-se perante o senhor e desprezar o irmão".
"Não se trata só de sair com a custódia, mas de sairmos nós mesmos do egoísmo, da indiferença, da uma fé cómoda e privada", sublinhou.
Depois de longas horas de espera pela missa, que obrigaram a acordar de madrugada, e da celebração, é tempo de regressar a casa para as centenas de milhares de pessoas de todas as idades que foram este domingo ao centro de Madrid ouvir um Papa.
Será o caso do grupo de Santo Tirso, que já saiu de Portugal na quinta-feira à tarde e esteve na celebração empunhando as poucas ou mesmo únicas bandeiras portuguesas que se viram este domingo na multidão, dominada pelas bandeiras do Vaticano e de Espanha - segundo dados da Conferência Episcopal Espanhola, 97% dos inscritos nesta missa são residentes em Espanha.
Viagem mais curta, apenas algumas paragens de metro, tem Irene, professora de 52 anos de Madrid, que foi sozinha à celebração de um Papa com quem simpatiza, simplesmente porque tem "uma expressão que transmite tranquilidade e alegria", pede "para se tratar bem aos imigrantes e as pessoas que têm problemas" e "domina o espanhol", idioma em que tem falado sempre publicamente desde que chegou a Espanha.
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