CGTP realiza a semana da igualdade entre 2 e 8 de março com o lema "A Igualdade que Abril abriu. Reforçar Direitos. Cumprir a Constituição".
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Mais de uma centena de pessoas manifestaram-se esta sexta-feira na baixa de Lisboa, num protesto promovido pela CGTP, para reivindicar igualdade entre homens e mulheres e contra o pacote laboral que consideram que piorará a situação laboral das mulheres.
"A igualdade que Abril abriu, reforçar direitos, cumprir a constituição" lia-se na faixa que encimava a manifestação à saída do Largo de Camões em direção ao parlamento.
"Pacote laboral = retrocesso laboral" e "Pacote Laboral é Perigo Constitucional" eram outras mensagens dos cartazes dos participantes da marcha, em que foram entoadas palavras de ordem em defesa da igualdade de direitos, de salários, dos direitos laborais, saúde e educação pública e ainda da paz.
Cristina Calado, de 64 anos, disse à Lusa que toda a sua vida participou em várias lutas e que veio a esta manifestação porque a igualdade entre homens e mulheres "é uma conquista ainda por alcançar", ainda que diga que nunca se tenha sentiu discriminada no trabalho por ser mulher.
Questionada sobre se considera que há riscos de retrocesso nos direitos já alcançados, considerou que só "acontecerá se as mulheres deixarem".
"Se as mulheres se emanciparem por dentro não deixam que ocupem o seu espaço", vincou.
Nuno Matos afirmou no setor em que trabalha, a banca, ainda é frequente que mulheres com posições de chefias iguais tenham nível salarial abaixo de homens na mesma posição.
"E quando a mulher vai ter filhos ainda é penalizada nas avaliações e prémios. Achamos que temos um país envelhecido, mas as mulheres são penalizadas quando têm crianças", disse.
"Igualdade salarial é urgente em Portugal", foi um dos 'slogans' escutados ao longo da marcha, em que muitos manifestantes empunhavam cravos vermelhos.
Esta manifestação é promovida pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP-IN.
Fátima Messias, coordenadora desta comissão, afirmou à Lusa que apesar de a igualdade estar consagrada na Constituição é muitas vezes subvertida pelas próprias leis.
"Subvertida é quando a legislação do trabalho vai contra princípios da Constituição. A Constituição salvaguarda o direito ao emprego e emprego seguro. Quando vemos que a maioria das mulheres têm vínculos precários, especialmente as jovens até 25 anos, que não têm segurança na sua vida, não podem fazer projetos de constituir família e comprar casa, a segurança do emprego consagrada na Constituição não é cumprida" afirmou.
Para a dirigente sindical, o pacote laboral é tido pelo Governo como de progresso mas o que traz é retrocesso e especialmente para as mulheres, ao pressionar salários e fomentar mais horas de trabalho e mais mal pagas, exemplificando com o banco de horas individual.
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, considerou a luta das mulheres trabalhadoras central à igualdade entre homens e mulheres e disse que o pacote laboral proposto do Governo é também um ataque significativo às mulheres pois estas são mais sujeitas à precariedade e baixos salários.
Sobre a vontade do Governo levar avante a reforma laboral, o líder da CGTP considerou que "a dimensão da luta irá adequar-se à dimensão do ataque" e recordou a greve geral feita em 11 de dezembro passado.
A CGTP realiza a semana da igualdade entre 2 e 8 de março com o lema "A Igualdade que Abril abriu. Reforçar Direitos. Cumprir a Constituição", com iniciativas no país.
O Dia Internacional da Mulher comemora-se em 8 de março.
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