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Chuva dificulta reparação de 1100 telhados afetados em freguesia de Ourém

Lonas colocadas são arrancadas e à junta de freguesia chegam, de novo, pedidos de ajuda.

04 de fevereiro de 2026 às 17:11

Com chuva e vento sem dar tréguas, o trabalho nos telhados afetados pela depressão Kristin parece inglório em Caxarias, Ourém, porque as lonas colocadas são arrancadas e à junta de freguesia chegam, de novo, pedidos de ajuda.

O mau tempo afetou cerca de 1.100 coberturas de casas em Caxarias, em Ourém, no distrito de Santarém.

Sérgio Fernandes, presidente da Junta, disse esta quarta-feira à agência Lusa que foram afetadas cerca de 97 a 98% das habitações desta freguesia, que agrega 15 localidades.

O trabalho de mitigação dos danos nos telhados através, por exemplo, da colocação de lonas ou plásticos, tem sido feito por bombeiros de Caxarias, outros provenientes da zona de Lisboa e ainda militares das Forças Armadas.

"Mas é inglório. Faz-se num dia e muito do trabalho que tinha sido feito está, outra vez, para ser feito e as pessoas voltam novamente aqui", afirmou o autarca, que disse que, após a passagem da Kristin, foi preciso realojar cinco pessoas.

Sérgio Fernandes disse mesmo que "é difícil encontrar uma casa que não foi afetada" nesta zona, mas apontou também para muitos prejuízos na zona industrial onde, praticamente, 90% das empresas ali instaladas foram danificadas, quer nos pavilhões, quer em equipamentos.

A destruição é visível a quem entra em Caxarias por aquela zona. Há coberturas no chão, muitas árvores e sinais de trânsito caídos, detritos espalhados pela via e as paredes de vidro de uma loja completamente estilhaçadas.

Uma semana depois, as estradas estão desobstruídas e há eletricidade, fornecida por geradores, onde estão os serviços, como a junta, centro de saúde, escolas, pavilhão gimnodesportivo, no centro da vila, onde estão os supermercados ou a farmácia.

"Em todo o restante da freguesia não temos luz. Estamos a aguardar, porque as linhas de média tensão ficaram completamente danificadas, estão no chão, é um trabalho árduo que a E-Redes tem pela frente e, no que me parece a mim, a empresa chegou um pouco tarde cá", referiu.

Sérgio Fernandes disse que é preciso "ter paciência", mas a impaciência e o desgaste parecem que começam a tomar conta de empresários e de moradores.

Na junta pode-se preencher o formulário para levantamento dos prejuízos e ali foi também criado um espaço aberto para quem precisa de aceder à internet ou a eletricidade.

Nesse espaço, a Lusa encontrou o empresário Miguel Marques, da empresa de transformação de pedra Silaco, instalada na Urqueira e que tem 18 trabalhadores.

"Estamos a trabalhar a 30%. Já consegui arranjar um gerador, tive de o adquirir e estamos a tentar por a fábrica a trabalhar, mas está sem telhados, portões, não há comunicações, está complicado", referiu.

E as comunicações, quer fixas quer móveis, são, para este empresário, o principal problema.

É preciso, contou, andar de um lado para outro, entre Ourém e Fátima ou ir à junta de Caxarias. A semana "foi desgastante", os "dias passam a correr", apenas se faz "10 ou 15%" do que era preciso.

"Temos e-mails do estrangeiro constantemente a chegar, estamos a tentar explicar o que aconteceu, estamos a tentar fazer tudo por tudo para manter a produção minimamente a trabalhar, carregar os camiões, estão a sair contentores, ainda hoje carregámos contentores para a Irlanda, e depois falta a fatura, falta sei lá o quê. Isto é uma complicação, é muito difícil", apontou Miguel Marques.

Questionado sobre os apoios anunciados pelo Governo respondeu: - "Já vi aí muita coisa escrita, mas não tenho tempo para estar a ver isso, quero é comunicações, principalmente comunicações".

No entanto, foi acrescentando que as "linhas de crédito têm de ser pagas" e, por isso, a seu ver, "não é por aí o caminho".

"Linhas de crédito toda a gente vai ao banco e consegue. As moratórias já são uma ajuda, mas isso de andar a anunciar que há não sei quantos milhões para toda a gente, isso já havia", considerou, referindo que a sua empresa não vai entrar em lay-off e que o seu objetivo é "por o pessoal a trabalhar e a vender o máximo possível".

O Conselho de Ministros aprovou no domingo um pacote de apoios que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos provocados pela depressão Kristin, abrangendo famílias, empresas e entidades públicas.

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