Sistema, denominado de Volta, pretende reciclar 90% dos produtos abrangidos até 2029.
Que latas e garrafas meto nos pontos ‘Volta’? Como é o reembolso? Tudo sobre o novo sistema de depósito de embalagens
Medialivre
No dia do lançamento do sistema de embalagens para reciclagem (SDR), alguns cidadãos ouvidos pela Lusa junto a centros comerciais da capital disseram que a iniciativa é positiva, mas consideraram que será pouco eficiente.
"Acho que a proposta é útil porque as pessoas dão muito mais valor quando há um valor monetário envolvido", disse Ana Pinheiro referindo-se ao facto de a colocação de cada embalagem na máquina automática valer 10 cêntimos.
As máquinas do SDR, que vão chegar a todo o país, vão receber embalagens de bebidas de uso único, de plástico e metal, até três litros, e imprimir o respetivo reembolso. A máquina esmaga a embalagem e retribui com o reembolso de 10 cêntimos.
O sistema, denominado de Volta, pretende reciclar 90% dos produtos abrangidos até 2029, segundo os responsáveis pela iniciativa.
"A iniciativa leva as pessoas a fazerem reciclagem", disse Ana Pinheiro, no Centro Comercial Fonte Nova, em Benfica, que ainda não tem uma máquina instalada. A moradora acrescentou que também as embalagens de vidro deveriam estar incluídas no sistema.
Entre os relatos que a Lusa recolheu, houve também opiniões negativas sobre o SDR, como foi o caso de João Santos, que a considerou uma imposição.
"É estranho sermos obrigados a aceitar o que eles estão a decidir", disse João Santos, no mesmo centro comercial, acompanhado pela mulher, Fernanda, que partilhou da mesma opinião.
João Santos disse que a iniciativa é pouco útil e que não deverá ter grande impacto pelos 10 cêntimos. Ainda assim, o casal disse que faz a separação do lixo "há muitos anos e que quem já tem esse hábito vai continuar".
Mariana Antão considerou a iniciativa útil para que as pessoas reciclem mais, mas criticou a necessidade de as embalagens estarem intactas para poderem ser colocadas nas máquinas.
"Acho que é um bocado complicado porque a maior parte delas [as garrafas de plástico] amachuca-se facilmente", observou.
Mariana Antão disse ainda que usaria o sistema se tivesse uma garrafa que acabou de ficar vazia e houvesse uma máquina de SDR perto.
Alguns transeuntes que a reportagem da Lusa encontrou ainda não tinham ouvido falar do sistema, mas disseram que quando virem as máquinas as vão utilizar.
No centro comercial Colombo, também em Benfica, já foi colocada uma máquina no parque de estacionamento, mas esta tarde ainda não estava funcionar.
A partir esta sexta-feira, desde que tenham o símbolo Volta, estejam inteiras, sem líquidos, com tampa e com o código de barras, as embalagens são aceites em qualquer uma das 2.500 máquinas que serão espalhadas pelo país, mais de 8.000 pontos de recolha manual e 48 quiosques para entregas de grandes quantidades que estarão junto de supermercados.
Até 9 de agosto, o SDR está numa fase de transição e por isso é natural estarem à venda os produtos sem o logótipo, que por isso não são aceites pelas máquinas.
No entanto, ao comprar a bebida o consumidor também não pagou os 10 cêntimos a mais pela embalagem.
O sistema SDR já está implementado em vários países europeus, como a Alemanha, Áustria ou Dinamarca, e recolhe anualmente mais de 35 mil milhões de embalagens, envolvendo cerca de 357 milhões de habitantes.
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