Presidente da assembleia municipal informou que as questões colocadas pelos munícipes serão remetidas ao executivo para que possam ter uma resposta.
O promotor da plantação de árvores no separador da Avenida Estados Unidos da América, em Lisboa, foi identificado no domingo pela Polícia Municipal, incorrendo numa coima, e as suas questões colocadas na assembleia municipal ficaram para já sem resposta.
A Assembleia Municipal de Lisboa reuniu-se esta terça-feira para discutir vários assuntos, entre os quais as alterações ao regulamento do alojamento local, mas no período de intervenção do público foram várias as intervenções sobre um caso que ocorreu no domingo com um grupo de voluntários que decidiram deitar mãos às ervas do separador central da Av. dos Estados Unidos da América.
Nuno Prates apresentou-se como cidadão, sem qualquer ligação partidária, que costuma levar a cabo "algumas iniciativas com voluntários" de renaturalização no espaço público, como foi o caso da limpeza de ervas mortas e de troncos secos de árvores que tinham sido plantadas pela Junta de Freguesia de Alvalade.
O grupo, como explicou numa nota enviada à Lusa, decidiu "substituir os exemplares" que a autarquia "plantou e deixou morrer" no separador daquela artéria da cidade, e após receber "uma doação de sobreiros" foi plantá-los "na época correta para se adaptarem à negligência e desinteresse totais" que a junta de freguesia e a câmara "demonstram com a vegetalização da cidade".
Foram plantados "700 exemplares em linha, com 10 centímetros de altura, no exato local onde os arbustos plantados" pela câmara se encontravam, e embora pareçam demasiados, os voluntários asseguram que "a taxa de sucesso e sobrevivência é baixa, fruto da falta de manutenção pelos serviços" da câmara e da junta.
"Escolhemos sobreiros porque são resilientes, são de crescimento lento - indicados para o local -, são autóctones e são a árvore nacional de Portugal", refere-se na nota, considerando que "numa cidade onde os espaços verdes estão entregues à sua sorte, a população sente que é preciso agir, recuperar, plantar o futuro, mesmo que sem apoio ou compreensão" da autarquia.
Embora durante a operação tenham sido incentivados por moradores e automobilistas, Prates contou na assembleia municipal que agora enfrenta, com outro voluntário, de 78 anos, uma coima por terem sido identificados pela Polícia Municipal a pedido de uma moradora, funcionária da câmara, por não terem autorização para a ação.
"Venho perguntar se a câmara municipal nos ajuda nesta questão uma vez que esta senhora, esta funcionária, teve uma atitude autoritária e nem sequer tentou perceber o que é que nós estávamos ali a fazer", afirmou o ativista, ressalvando a atitude dos dois agentes da Polícia Municipal, que ouviram e disseram que tinham de cumprir a lei.
O morador avançou que a funcionária "foi dirigente de um programa que se chama Renaturalizar a Cidade" e a sua primeira atitude foi puni-los.
Outra munícipe lamentou que a "câmara municipal muitas vezes não tem o cuidado devido para com os espaços verdes" e, apesar das queixas quer à junta de freguesia, quer na câmara, não tem resposta e "as árvores continuam a ser todos os dias cortadas na zona de Encarnação",
"Pretendemos ter uma cidade mais verde e contamos com a participação dos cidadãos", notou a voluntária, lamentando a atitude da denunciante da ação na Av. dos EUA e agradecendo que "a situação seja devidamente esclarecida também lá na câmara".
Para outro voluntário, é "uma situação absurda, como é que uma pessoa ligada ao Ambiente da câmara fica chocada de ver voluntários que estão a fazer um trabalho que apoia" a autarquia, de "forma voluntária".
O morador frisou que em algumas cidades europeias estes grupos de cidadãos, compostos por voluntários com conhecimentos técnicos adequados, já existem há algum tempo e até são apoiados pelas entidades oficiais.
O presidente da assembleia municipal, André Moz Caldas (PS), informou que as questões colocadas pelos munícipes serão remetidas ao executivo para que possam ter uma resposta.
Na nota enviada pelos voluntários, a moral da história revela-se no entendimento de que para quem governa o que fazem "é ilegal, deve ser impedido e penalizado" e, por isso, concluíram: "Somos criminosos. Plantamos e cuidamos dos espaços verdes".
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