Equipa de investigadores portugueses descobriu que existem duas proteínas fundamentais para "preservar o funcionamento das células que sustentam a estrutura do timo e permitem a formação adequada das células T".
Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto descobriram um mecanismo que abre caminho ao atraso do "envelhecimento do sistema imunitário", ao ajudar o timo a manter-se funcional ao longo da vida.
Os resultados do estudo "ajudam a explicar por que é que o sistema imunitário enfraquece com a idade e poderão contribuir para novas estratégias terapêuticas destinadas a promover um envelhecimento mais saudável", diz o instituto, numa nota de imprensa divulgada esta quarta-feira.
"O objetivo não é apenas compreender como envelhece o sistema imunitário, mas também encontrar formas de o manter mais competente durante mais tempo. Se conseguirmos preservar a função do timo, poderemos contribuir para melhorar a resposta do organismo às infeções, às vacinas e até a algumas terapias contra o cancro", sublinha Nuno Alves, coordenador do trabalho.
O i3S descreve que "o timo é um pequeno órgão localizado acima do coração" onde "se formam e se treinam as células T, um dos principais pilares das defesas do organismo contra infeções e cancro".
"Apesar da sua importância, o timo começa a perder tamanho e atividade logo após a adolescência", refere o instituto do Porto.
A equipa descobriu que existem duas proteínas fundamentais para "preservar o funcionamento das células que sustentam a estrutura do timo e permitem a formação adequada das células T".
Por outro lado, os cientistas provaram que "os níveis destas proteínas diminuem naturalmente com a idade, reforçando a ideia de que podem estar envolvidas no processo de envelhecimento do sistema imunitário".
Os investigadores "acreditam que estas descobertas poderão abrir caminho para novas estratégias terapêuticas para atrasar ou contrariar a perda de função do timo".
"Sabemos há muito tempo que o timo perde capacidade com a idade, diminuindo a resposta a vacinas e a nossa resistência contra infeções e cancro. Este estudo identifica peças-chave dos mecanismos que ajudam este órgão a manter-se funcional", explica Nuno Alves.
No estudo, os investigadores "utilizaram modelos animais e ferramentas genéticas avançadas".
Quando as duas proteínas foram removidas, "o timo envelheceu precocemente, perdeu capacidade para produzir células T e deixou de assegurar um funcionamento adequado do sistema imunitário", descreve o i3S.
"Observámos que, sem estas proteínas, o timo começa a apresentar muito cedo características normalmente associadas ao envelhecimento. Isso sugere que desempenham um papel essencial na preservação da função deste órgão ao longo da vida", afirma o Nuno Alves.
Para a equipa, o trabalho representa "um passo importante na compreensão dos processos biológicos que influenciam a saúde ao longo do envelhecimento".
"Durante muitos anos, o timo foi visto como um órgão importante apenas na infância. Sabe-se agora que indivíduos com um timo mais funcional podem estar mais protegidos contra doenças e responder melhor a terapias inovadoras, incluindo imunoterapias contra o cancro. Quanto melhor compreendermos o seu funcionamento, mais perto estaremos de desenvolver estratégias que ajudem a envelhecer melhor com um sistema imunitário mais forte", assegura o coordenador.
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