INE atualizou esta segunda-feira o número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras.
A demógrafa Maria João Valente Rosa destacou esta segunda-feira o facto de Portugal ter superado a barreira dos 11 milhões de habitantes e de existir mais população ativa graças à presença de estrangeiros.
"Hoje ficámos a saber algo que não sabíamos até ao momento, nomeadamente que tínhamos ultrapassado a barreira já em 2023, mas 2025 também, a barreira dos 11 milhões de habitantes", disse a demógrafa, considerando ser algo "inédito em termos de número de pessoas que residem em Portugal".
A professora da Universidade Nova falava à agência Lusa a propósito da divulgação esta segunda-feira das estatísticas relativas às estimativas da população residente em 2025 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O INE reviu toda a série de valores desde os censos de 2021, incorporando os dados de estrangeiros atualizados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo, bem como uma nova contagem de informações administrativas cruzadas, que será a base para análises posteriores.
Maria João Valente Rosa sublinhou que Portugal não tinha no passado um registo e um número "tão elevado", o que "é uma notícia importante", além dos dados apontarem para "uma inversão da redução da população em idade ativa", que "tinha vindo a diminuir de uma forma relativamente consistente desde 2009".
"Hoje temos mais de sete milhões de pessoas entre os 15 e os 64 anos" e também "nesse grande grupo de idade nunca fomos tantos", explicou, salientando que, para tal contribuiu o aumento dos estrangeiros residentes.
A demógrafa afirmou também que nunca tinham existido tantos estrangeiros a viver em Portugal, correspondendo a 14% da população, sendo algo que está "muito em linha com o que é observado noutros países da União Europeia, nomeadamente a Alemanha, Bélgica, Espanha ou Irlanda".
A professora frisou igualmente que a população continua a envelhecer, mas "de uma forma menos acentuada" do que no passado recente, o que contrariou as expectativas dos especialistas.
Num balanço, Valente Rosa destaca "o contributo extremamente importante do saldo migratório e dos estrangeiros para todo este panorama" do país.
O INE anunciou também alterações metodológicas que já estavam previstas, passando a dar prioridade aos dados administrativos cruzados em vez dos números dos censos, o que obrigou a corrigir informações desde 2021, algo que a demógrafa disse compreender.
"Quando se faz uma alteração de metodologia é habitual que as séries sejam revistas para haver uma certa continuidade, porque senão ficamos assim com um número solto no meio de uma série estatística temporal", explicou.
Segundo a professora, este tipo de revisões metodológicas "vão acontecendo" porque "as sociedades evoluem e as metodologias diversificam-se" e é de "bom tom que, de vez em quando, seja feito o refrescamento".
No entanto, sustentou que esta alteração "vai ter um grande impacto", nomeadamente na forma como Portugal se posiciona no quadro europeu, numa comparação de dados per capita ou absolutos de população.
A professora indicou que a partir de agora será possível obter "informação mais granular" a partir dos dados em vez de ter como base os censos.
"Até agora, os recenseamentos da população eram assim os nossos grandes marcos, só que aconteciam de dez em dez anos e nós sabemos que com a velocidade da mudança, de dez em dez anos é uma eternidade", considerou Valente Rosa, defendendo "uma informação mais consolidada, mais sólida e com uma menor espessura temporal".
O INE atualizou esta segunda-feira o número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras.
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