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Vírus que causa o ébola, uma febre hemorrágica altamente contagiosa, já foi detetado em três províncias e no vizinho Uganda.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou os procedimentos para os casos suspeitos de ébola em Portugal, definindo como hospitais de referência o Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, e o São João, no Porto.
As medidas de abordagem clínica e de saúde pública para casos suspeitos de febre hemorrágica por filovírus, como o ébola e o marburg, constam de uma orientação da diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, publicada no sábado e este domingo consultada pela Lusa.
O documento refere que, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), os países não diretamente afetados pelo surto que se verifica na República Democrática do Congo, como é o caso de Portugal, devem reforçar a deteção precoce e a gestão de eventuais casos importados.
Segundo o relatório do ECDC publicado na sexta-feira, o risco de infeção para as pessoas que vivem na Europa é muito baixo, dada a reduzida probabilidade de importação e transmissão secundária do ébola.
De acordo com a DGS, uma pessoa que apresente febre acima dos 38 e náuseas, vómitos, diarreia, anorexia, dor abdominal e hemorragias, entre outros sintomas, e que tenha estado em áreas com circulação do vírus deve ser considerada como caso suspeito de infeção.
O profissional de saúde que identifique um caso suspeito de febre hemorrágica deve contactar de imediato a DGS por via telefónica e notificá-lo na plataforma informática do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, determina a orientação.
A DGS é a entidade responsável pela validação de casos suspeitos, cabendo-lhe ainda informar o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que assegura o transporte, o hospital de referência e o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), a quem cabe confirmar o diagnóstico.
"Um caso suspeito deve permanecer em isolamento físico, em espaço dedicado com controlo de acesso, e bem ventilado para o exterior de forma segura. Deve ainda reforçar a higiene das mãos e a etiqueta respiratória, e usar uma máscara cirúrgica, aguardando a chegada da equipa do INEM ao local", avança o documento.
De acordo com a orientação, os hospitais de referência são o Curry Cabral e o São João para doentes em idade adulta e o Dona Estefânia para crianças e jovens, cabendo às respetivas equipas de infecciologia articular com o INEM a receção do doente, que deverá ser admitido de imediato nas unidades de isolamento para Doenças Infecciosas de Alta Consequência.
Para os viajantes com destino a áreas endémicas ou com surtos ativos, a DGS recomenda que, previamente, realizem uma consulta do viajante, que façam o registo no Portal das Comunidades e efetuem um seguro de viagem.
Após o regresso, devem efetuar uma automonitorização ativa durante 21 dias, evitar dádiva de sangue até 60 dias após a viagem e não se deslocar a qualquer serviço de saúde sem orientação prévia.
Os viajantes que venham a adoecer nos primeiros 21 dias após o regresso devem ligar para o 112 em caso de emergência médica, mencionando os sintomas, as datas e o itinerário da sua viagem.
Com mais de 100 milhões de habitantes, a República Democrática do Congo declarou a 15 de maio um surto de ébola, que está a afetar uma parte do seu vasto território e que levou OMS a declarar uma emergência de saúde pública de âmbito internacional.
O vírus que causa o ébola, uma febre hemorrágica altamente contagiosa, já foi detetado em três províncias e no vizinho Uganda, onde foram confirmados dois novos casos na sexta-feira, elevando o número total de casos confirmados no país da África Oriental para nove.
Na República Democrática do Congo foram registadas 246 mortes e mais de mil casos suspeitos, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira pelo Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência para a área da saúde da União Africana (UA).
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